Olá, tudo bem? Eu sou a Thane.
Gostaria de iniciar dizendo que a realidade do outro pode até ser parecida com a nossa, mas nunca será exatamente igual, e muito embora a minha realidade seja a de quem cresceu em meio ao desbravamento das relações virtuais, confesso que venho sentindo falta do passado, de enviar cartas, fazer telefonemas (que precisavam ser rápidos), ou até mesmo de enviar um SMS e só receber resposta caso a pessoa também tivesse créditos no celular.
Nossa, parece outra vida, quando precisávamos acessar a internet discada, e ficar em frente ao computador para acessar o universo online.
Agora dispomos de retornos imediatos, conversas que são
aceleradas, fotos e mais fotos que servem apenas para lotar o nosso
armazenamento, e com sorte serem publicadas no nosso instagram, tô mentindo?
Não existe a possibilidade de um retrocesso, não logicamente. Acho que não voltaremos a revelar fotos, nem alugar filmes em uma locadora, e também não vamos enviar cartas de amor. Bem que eu queria tirar algumas fotos, esquecer a máquina e só revelá-las quando voltasse de viagem.
Como disse André Luís Gomes em uma carta à Clarice Lispector “ Queremos tudo para daqui a dois minutos e pronto! O sistema instantâneo nos infantilizou”.
Isso é papo de uma senhora de 27 anos que está um pouco cansada da forma instantânea que temos vivido. Estou sendo saudosista, eu sei. Ao menos não estou sendo nostálgica.
No saudosismo sentimos saudades daquilo que já vivemos, ou
até mesmo de um passado que admiramos, é como curtir o estilo dos anos 80, 70, 60…
mesmo tendo nascido nos anos 90. Sentimos saudade, mas seguimos em frente,
aceitando que o presente é o que temos, já na nostalgia, vivemos como se nada
fosse superar aquilo que já foi, ruminamos o passado, desejamos viver mais lá
do que cá. Particularmente, acho a nostalgia triste.
Sim, a tecnologia me assusta, a forma como a naturalidade de viver se perdeu, em como as relações são pautadas pelo o que fazemos nas redes sociais, muitas vezes a forma como somos expostos também me assusta, e me pego pensando em como será a vida das próximas gerações, fico preocupada em como o viver será ainda mais midiático, transmitido ou até mesmo forjado em nome de engajamento.
Mas tenho certeza que essa também foi a preocupação das gerações que vieram antes de nós, que se assustaram com a evolução das máquinas, da sociedade, da política ou da cultura. Imagine só, se ainda fosse possível fumar dentro dos ambientes fechados, o quanto isso faria mal a saúde de todos? Ou ainda indo mais afundo, quando os cintos de segurança não eram obrigatórios em todo território nacional, e passaram a ser somente em 1997 graças à lei de nº 9.503 (CTB – Código de Trânsito Brasileiro).
A real é que as coisas sempre vão mudar, nós mesmos, não
somos iguais a nossa versão de 5 anos atrás. Às vezes não lidamos muito bem com
mudanças internas, e muito menos as externas, nosso extinto é o de rejeitar a
mudança, rejeitar o novo, rejeitar aquilo que parece incerto. Claro, a
estabilidade e a rotina, são fatores importantes para construirmos algo com
solidez, mas em alguns aspectos, o novo pode trazer frescor, pode arejar o
ambiente, facilitar, pode te transformar em uma versão melhor.
Hoje, eu sou
o novo, meus pensamentos, tudo o que aprendi até aqui, podem não fazer sentido
pra você, mas se você der uma chance, talvez te traga novas ideias, e com
sorte, te faça refletir sobre aspectos que nunca passaram pela sua cabeça, ou
que você nunca tenha prestado atenção.
Enfim, espero ser uma boa companhia, até a próxima!
Fonte das imagens:
Acervo de domínio
público
https://pixabay.com/pt/photos/fotos
