O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (8) que os países do Brics se tornaram vítimas de práticas comerciais “injustificadas e ilegais”, ao se referir ao tarifaço promovido pelo governo dos Estados Unidos. Em reunião virtual com os líderes do bloco, o presidente brasileiro destacou que a chantagem tarifária está sendo usada como instrumento para interferir em questões internas e conquistar mercados.
— “Nossos países se tornaram vítimas de práticas comerciais injustificadas e ilegais. A chantagem tarifária está sendo normalizada como instrumento para conquista de mercados e para interferir em questões domésticas. Dividir para conquistar é a estratégia do unilateralismo”, disse Lula.
O presidente criticou a paralisia da Organização Mundial do Comércio (OMC) e afirmou que regras basilares do comércio, como a cláusula de Nação Mais Favorecida e de Tratamento Nacional, estão sendo “enterros formais” por medidas unilaterais. Lula defendeu que os países do Brics devem se unir para refundar o sistema multilateral de comércio, aproveitando a força do bloco, que representa 40% do PIB global e quase 50% da população mundial.
O discurso também abordou a soberania digital, destacando a necessidade de governança democrática no mundo tecnológico, sem depender de poucas empresas estrangeiras, e a importância de desenvolver ecossistemas nacionais regulados.
Segundo o Palácio do Planalto, o Brics reafirmou o compromisso com o multilateralismo e discutiu temas como tarifas dos EUA, guerra Rússia-Ucrânia, situação na Faixa de Gaza, reforma da OMC e a COP30 em Belém.
A reunião ocorre à margem do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo STF, tema usado por Donald Trump como justificativa para manter a sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, mas o governo brasileiro reafirmou que não cederá à interferência americana em assuntos internos.
O Brics, originalmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, conta agora com 11 países, incluindo Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Irã e Indonésia.
