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A INSTABILIDADE DA MULHER NO MERCADO DE TRABALHO


Tudo começa na entrevista... Quando perguntam se a mulher é casada, se tem filhos, ou quando pretende ter. Mas, perguntam aos homens se possuem filhos, ou se pretendem ter? E no que isso afetaria o desempenho da mulher naquela vaga? Além de ser um questionamento extremamente pessoal, e algo inato quando se trata de mulheres, que pretendem gerar uma vida.
É comprovado que mulheres são a maioria da população brasileira, que vivem mais tempo, e possuem educação formal mais qualificada em comparação ao gênero masculino, e embora tenham conquistado mais autonomia e espaço no ambiente profissional, ainda assim possuem salários inferiores, instabilidades e sofrem preconceitos diários. Vamos ao fato de que a mulher precisa atender aos padrões estéticos estabelecidos pelo local, muitas vezes enviesados de preconceitos, e quando não cumpre aos requisitos, pode ser descartada, mesmo executando perfeitamente as funções para a qual foi contratada.
As responsabilidades domésticas e a criação dos filhos permanecem sendo tarefas majoritariamente ligadas às mulheres, mesmo assim, ao possuírem emergências ligadas a essas áreas, são extremamente julgadas por suas posturas. Obviamente não estamos falando de pessoas que se validam de suas condições para justificar falhas ou negligências profissionais.


A Constituição da República de 1988 teve uma preocupação exaustiva em garantir a igualdade de gênero, seja nas relações de direito em geral, como também no ambiente de trabalho, um exemplo disso está em seu artigo 7, inciso III onde menciona que é um direito:
“proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil”
Entretanto, na prática vemos poucas empresas que se empenham a garantir esse direito, e a dar a oportunidade a cargos de liderança para mulheres, e não por desqualificações, mas sim por que possuem a crença preconceituosa de que uma mulher não é capaz de exercê-lo.
A instabilidade e insegurança são resultados dessa cultura que desconsidera a condições naturais, como a de gerar filhos, cuidar de suas respectivas famílias, caso sejam suas respectivas escolhas. Mas para além disso, não se propõe a compreender uma situação que o próprio patriarcado criou e nutre propositalmente, a de imputar somente às mulheres responsabilidades que devem ser divididas e nutridas por ambos os parceiros presentes em uma relação. Isto que, estamos mencionando famílias tradicionalmente conhecidas, não cheguei a mencionar mães solteiras que lidam sozinhas com todas as responsabilidades.
O princípio da equidade diz que as pessoas devem ser tratadas de acordo com suas necessidades e características individuais, visto que, a sua necessidade muito provavelmente, não será sanada pela resolução que salvou o outro.

 

Diversos são os motivos pelos quais as mulheres enfrentam instabilidades em seus empregos, embora tenha citado alguns, sei que a lista é grande e o assunto renderia livros... A reflexão que fica é, a insegurança é plantada propositalmente, a instabilidade é um mecanismo que causa medo em todas as mulheres, e a quem isso trás benefícios?

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