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A política é o problema...

 




Começo a nossa conversa de hoje tentando demonstrar a partir de palavras a imensa felicidade que senti ao verificar as inúmeras interações (comentários) no último artigo da minha coluna. 


Nesse último texto, conversamos um pouco sobre a relação do comportamento individual no trânsito de nossa cidade com o cenário global de estresse, ansiedade e números altíssimos de desequilíbrios emocionais. 


E aproveitando desse contexto tão importante que envolve não apenas a melhora individual, mas também a coletiva, hoje, trago outra analogia para refletirmos um pouco mais sobre a relação dos nossos comportamentos com as críticas que realizamos todos os dias. 


Quantas vezes você já criticou a "política" municipal, estadual ou federal? Quantas vezes você já presenciou brigas e agressões de pessoas que estavam discutindo sobre esse tema?


Provavelmente, inúmeras vezes, não é mesmo? Porém, precisamos alinhar alguns pontos para seguirmos nessa conversa. 


Primeiro, vamos compreender que o conceito da palavra "política" nos traz a ideia da resolução de conflitos de forma não violenta. Agora, uma pausa significativa: você sempre resolve seus conflitos pessoais ou com outras pessoas de forma pacífica ou sempre impõe suas ideias ao invés de expor e se torna um carrasco de si mesmo e/ou dos outros? Respeita aqueles que pensam diferente de você e ouve sem interromper ou agride verbalmente? Consegue refletir antes de agir nos focos de estresse e tensão ou "fala sem pensar" e até quebra objetos para descontar o nervoso? Consegue participar de um diálogo sem se exaltar ou sempre aumenta o tom da voz para ganhar a discussão? 


Essas reflexões são importantes e nos faz perceber que em muitos momentos também não agimos politicamente com nossos irmãos de espécie. Estamos cada vez mais nos separando e discriminando todos aqueles que pensam diferentes. 


É triste observar que estamos cada vez mais nos dividindo e rejeitando pessoas (até mesmo da família) por diferenças de filosofias, ideologias, religiões, etc. 


Arrisco dizer que pertencemos a uma mesma espécie, mas nos reconhecemos como seres humanos e até já não sabemos mais o que somos e quem sou. 


E diante desse caótico cenário, a política que deveria resolver as questões máximas de uma nação ou de uma sociedade se tornou (por ação individual e coletiva) uma verdadeira politicagem. 


Em segundo plano, precisamos compreender que não existirá melhora social, econômica, educacional e de saúde pública se nós continuarmos a praticar "micro-corrupções" diariamente, não respeitar o próximo, não compreender o real conceito de liberdade, de democracia e de direito à vida. Afinal, como viver uma democracia política se não conseguimos respeitar e aplicar uma democracia de ideias numa sociedade pautada pelas diferenças? 


Portanto, para que a politicagem encontre sua verdadeira função e vocação política, precisaremos agir politicamente a cada segundo de nossas vidas, compreender os bastidores da mente humana para entender que as nossas certezas são complexas interpretações e não verdades absolutas e, acima de tudo, aceitar que nossa espécie é marcada pelas diferenças não somente físicas, mas também de credos, ideias, preferências, orientações e de visão de mundo.