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Empresas brasileiras participam de experimento de semana de trabalho de 4 dias


A partir de setembro, um experimento que envolve vinte empresas brasileiras promete redefinir a dinâmica de trabalho ao adotar a semana de 4 dias. Inicialmente, as empresas vão dedicar três meses para avaliar e ajustar suas estratégias diante da nova carga horária, antes de implementar a mudança em dezembro ou janeiro. Essa iniciativa, que busca equilibrar a busca por produtividade com a melhoria da qualidade de vida dos funcionários, é conduzida pela ONG britânica 4 Day Week Global e a brasileira Reconnect Happiness at Work, com avaliação da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A proposta do experimento é encurtar a jornada semanal de trabalho, mantendo os salários inalterados. Com duração prevista de até 9 meses, o projeto será dividido em duas etapas: planejamento (3 meses) e execução (6 meses). Envolverá cerca de 400 funcionários de diversas áreas, incluindo saúde, escritórios e varejo.

A mudança é uma tendência global que ganhou força durante a pandemia e teve início na Nova Zelândia em 2019. Seu objetivo é aumentar a eficiência ao adaptar as tarefas às novas jornadas. No entanto, a adoção não é uniforme e sua implementação depende da natureza das atividades. Setores essenciais e de atendimento ao público, por exemplo, podem enfrentar desafios maiores na adaptação.

O processo envolve mais do que simplesmente reduzir os dias de trabalho. A comunicação é fundamental para o sucesso, incluindo diálogos com líderes e engajamento dos funcionários. Acordos individuais podem ser necessários, considerando o impacto direto nas carreiras. A transição também inclui acesso a cursos, treinamentos e palestras sobre produtividade, bem como diagnóstico organizacional e acompanhamento individualizado.

Embora a redução para quatro dias de trabalho seja uma proposta empolgante, desafios jurídicos e de adaptação ainda precisam ser superados. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) não impede a redução da jornada, mas acordos coletivos podem ser afetados. A personalização dos formatos também é essencial para garantir a eficiência.

O experimento reflete um movimento de busca por equilíbrio entre produtividade, qualidade de vida e retenção de talentos. As empresas participantes estão explorando uma abordagem inovadora que pode indicar tendências futuras em um mundo de trabalho em constante evolução.

Com informações do G1.