O confronto de 1992 entre Valencia e Albacete no Estádio Mestalla se tornou uma memória inesquecível do futebol graças à ação corajosa de Guus Hiddink, técnico do Valencia na época. Durante as décadas de 80 e 90, era tristemente comum ver bandeiras de supremacia sendo exibidas nas arquibancadas por grupos de torcedores radicais na Europa.
No mencionado jogo, Hiddink não hesitou em pedir que os torcedores do Albacete removessem uma bandeira supremacista, ameaçando não colocar sua equipe em campo se a demanda não fosse atendida. Apesar do descontentamento da diretoria do Valencia, que preferia que o técnico não se envolvesse no assunto, Hiddink argumentou, “este é um problema que todos nós precisamos abordar”.
Só em 2013, os Yumus, grupo ultra-nacionalista valenciano, foram banidos do Mestalla, mas essa medida durou apenas até 2021. Mesmo com a polêmica, o retorno de Hiddink ao Mestalla em 2022 foi celebrado com aplausos entusiasmados da torcida.
Passaram-se 31 anos desde a ação emblemática do treinador holandês, mas o racismo ainda persiste entre os torcedores do Valencia, frequentemente ignorado pelos clubes e federação, assim como eram as bandeiras odiosas.
Nascido em 1946, no pós-guerra, na Holanda, Hiddink cresceu numa família que participou da resistência contra a ocupação alemã, protegendo famílias judias. Sua vida não é marcada apenas por essa nobre atitude fora de campo. É um nome de renome no futebol, com várias conquistas, incluindo um título da Champions League e outros nove com o PSV. Também teve passagens notáveis pelo Chelsea e Real Madrid, além de ter treinado a seleção de Curação entre 2020 e 2021, e a australiana no ano passado. Essa trajetória vitoriosa levou Hiddink a ser nomeado o 29º melhor treinador de todos os tempos pela France Football.
Ainda hoje, Guus Hiddink permanece como a única figura dentro do Valencia a ter se oposto explicitamente ao extremismo evidente nas arquibancadas do clube."

