No domingo, dia 16, foi ao ar no Fantástico, uma reportagem mostrando a cantora ex-BBB, Flay, que recorreu ao chamado “chip da beleza”, porém os efeitos foram desagradáveis em seu corpo, como erupção cutânea e ganho de 10kg de peso. Em publicação no Instagram, Flay escreveu: "A questão é a falta de informações dos próprios médicos sobre ser um chip cheio de hormônios. Nada disso foi passado na época para mim. Por isso mesmo a importância de levar a informação para TV para que outras pessoas não caiam na mesma cilada".
Consultamos especialistas da @AllurePresses para falar sobre o uso de hormônios para fins estéticos. Confira:
De acordo com Guilherme Renke (@endocrinorenke), sócio fundador do Instituto Nutrindo Ideais (@nutrindoideais), endocrinologista e médico do esporte, mestre em cardiologia, a gestrinona, um dos hormônios utilizados nestes procedimentos, é indicada para o tratamento da endometriose, pacientes na pós menopausa em situações necessárias. Para fins estéticos, ela não é recomendada, pois entre os efeitos colaterais estão a alteração de voz - ruim neste caso por Flay ser cantora, alterações da pele como surgimento de acne - mostrada em vídeos pela influencer, e a virilização.
Por conta disto, o endocrinologista defende que a procura deve ser feita por meio do auxílio de um profissional responsável e que faça a indicação de maneira consciente e ética.
Francisco Tostes (@doutortostes), médico atuante em endocrinologia e sócio do Instituto Nutrindo Ideais (@nutrindoideais), também comenta que a gestrinona não tem como finalidade principal mudar o corpo feminino, pois varia de pessoa para pessoa. Além da indicação clínica para endometriose, também é favorável para mulheres que têm muita tpm ou sangram demais na menstruação. Em outros casos, causa o efeito contrário.
O médico diz que os hormônios têm que ser indicados para pacientes que podem usar conforme avaliação médica. Segundo ele, é importante fugir de falsas promessas, como o "chip da beleza”.
Paralelo à este caso, na última terça-feira (11), foi publicado no Diário Oficial da União, uma decisão do Conselho Federal de Medicina (CFM), de 30 de março, que proíbe a prescrição de terapias hormonais com esteroides androgênicos e anabolizantes (EAA), para pessoas que buscam melhora de desempenho atlético e físico, profissionais ou amadores.
Nos últimos anos, vem ocorrendo um aumento do uso de hormônios anabolizantes para fins estéticos, tanto para homens como para mulheres. Isso trouxe preocupação a Sociedades Médicas e ao CFM com relação à segurança deste uso. Os especialistas comentam sobre a decisão:
De acordo com Francisco, os hormônios podem ser utilizados por via injetável (intramuscular), transdérmica (gel/creme aplicado na pele), por via oral ou através de pellets/implantes que são aplicados sob a pele e liberam o hormônio ao longo de 6 meses a 1 ano.
Os hormônios esteróides (derivados da testosterona) são indicados para casos de deficiência hormonal ou outras condições consumptivas em que o efeito anabolizante é necessário, como em caquexia em pacientes oncológicos, por exemplo.
Segundo Thomáz Baêsso (@thomazbaesso), médico cirurgião atuante em nutrologia do Instituto Nutrindo Ideais (@nutrindoideais), com atuação em emagrecimento, hipertrofia e saúde sexual, estas substâncias são muito úteis na prática clínica para algumas doenças e condições clínicas, como em indivíduos sarcopênicos com baixa massa magra, pois esse hormônio diminui a chance do paciente ter fraturas ósseas e outras doenças relacionadas à deficiências hormonais de testosterona.
Guilherme, em entrevista ao portal EU Atleta, completa ao apontar que as substâncias seguem liberadas, dentro de condições respaldadas por sintomas e exames laboratoriais, em casos de:
- Mulheres com transtorno sexual hipoativo (que gera queda de libido), incluindo as que estão na menopausa e não conseguiram resolver o problema com outros tipos de reposição hormonal;
- Homens com hipogonadismo, condição em que a redução dos níveis de testosterona é acompanhada de sintomas que vão de alterações de humor a aumento da circunferência abdominal, passando também pela perda de libido;
- Pessoas de qualquer idade com osteoporose grave;
- Pessoas de qualquer idade com sarcopenia grave.
Ele lista os riscos do uso indiscriminado, que passam por alterações físicas e de saúde:
- Aumento da pressão arterial, levando a um estado de hipertensão;
- Formação de placas (ateromas) nas artérias;
- Aumento do colesterol;
- Maior risco cardíaco, em consequência das situações acima. Especialmente de desenvolvimento de doença arterial coronariana;
- Risco de falência renal em consequência do aumento da pressão arterial e da retenção de sódio;
- Sobrecarga no fígado, causando hepatite medicamentosa, especialmente nos casos de anabolizantes orais, que são metabolizados pelo fígado;
- Alteração de comportamento, com possibilidade de a pessoa ficar mais agressiva e agitada;
- Risco de infertilidade;
- Possibilidade de aumento da queda de cabelo e da calvície;
- Acne;
- Voz grossa;
- Em caso de atletas profissionais, doping.
REFERÊNCIAS:
Achilli C, Pundir J, Ramanathan P, Sabatini L, Hamoda H, Panay N. Efficacy and safety of transdermal testosterone in postmenopausal women with hypoactive sexual desire disorder: a systematic review and meta-analysis. Fertil Steril. 2017 Feb;107(2):475-482.e15. doi: 10.1016/j.fertnstert.2016.10.
Ring J, Heinelt M, Sharma S, Letourneau S, Jeschke MG. Oxandrolone in the Treatment of Burn Injuries: A Systematic Review and Meta-analysis. J Burn Care Res. 2020 Jan 30;41(1):190-199. doi: 10.1093/jbcr/irz155. PMID: 31504621.
Shalender Bhasin, Juan P Brito, Glenn R Cunningham, Frances J Hayes, Howard N Hodis, Alvin M Matsumoto, Peter J Snyder, Ronald S Swerdloff, Frederick C Wu, Maria A Yialamas, Testosterone Therapy in Men With Hypogonadism: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline, The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, Volume 103, Issue 5, May 2018, Pages 1715–1744, https://doi.org/10.1210/jc.
FONTES:
Guilherme Renke (@endocrinorenke), sócio fundador do Instituto Nutrindo Ideais (@nutrindoideais), endocrinologista e médico do esporte, mestre em cardiologia.
Sócio fundador do Instituto Nutrindo Ideais, médico formado pela Universidade Estácio de Sá, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Médico do Esporte com Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, Pós Graduado em Cardiologia pelo Instituto Nacional de Cardiologia do Rio de Janeiro, Mestre em Cardiologia (INC). Também possui aprimoramento em Endocrinologia pela Harvard Medical School, Post Graduate Course Obesity Medicine (Boston, EUA) e pelo American Board of Obesity Medicine (EUA). Dr. Renke também é pesquisador aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro - FAPERJ (Inovações no esporte 2012).
Francisco Tostes (@doutortostes), médico atuante em endocrinologia e sócio do Instituto Nutrindo Ideais (@nutrindoideais).
O médico endocrinologista e sócio do Instituto Nutrindo Ideais, maior clínica multidisciplinar do Brasil, Dr. Francisco Tostes (@doutortostes) é graduado há mais de 14 anos em medicina pela Faculdade Souza Marques e tem como foco de atuação a melhora na qualidade de vida de seus pacientes, seja através da prevenção ou empregando o que há de melhor no tratamento de doenças e outros problemas.
Thomáz Baêsso (@thomazbaesso), médico cirurgião atuante em nutrologia do Instituto Nutrindo Ideais (@nutrindoideais), com atuação em emagrecimento, hipertrofia e saúde sexual. CRM: 235249.
