O caso chocante de Sheila Seleoane, uma mulher que morreu e cujo corpo ficou esquecido por dois anos e meio dentro do seu apartamento em Londres, sem que ninguém descobrisse, tem gerado grande comoção entre os moradores da região e levantado questões sobre o papel das associações habitacionais no Reino Unido.
Sheila, que era secretária médica, morava em Lord's Court, um moderno bloco de apartamentos de três andares em Peckham, um bairro no sul de Londres. Quando a polícia finalmente arrombou a porta do seu apartamento em fevereiro de 2022, encontrou apenas os restos mortais da mulher, vestida com calças de pijama azuis e uma blusa branca. A sobremesa dentro da geladeira havia expirado há mais de dois anos e meio.
Os vizinhos de Sheila já haviam levantado preocupações sobre o cheiro desagradável e a presença de larvas no apartamento logo abaixo do dela, mas a administração do prédio, a Peabody, não deu a devida atenção ao problema. A associação habitacional, que é uma entidade privada e sem fins lucrativos que fornece moradias de baixo custo a pessoas com necessidades financeiras no Reino Unido, chegou a pedir que o governo pagasse diretamente o aluguel da moradora morta, sem nem sequer verificar se ela estava viva ou não. O aluguel foi pago por meses, sem que ninguém percebesse que algo estava errado.
A Peabody, por sua vez, reconheceu que houve "oportunidades desperdiçadas" para se encontrar o corpo de Sheila antes e que não fez o suficiente para entender a situação. Um relatório independente encomendado pela associação habitacional afirmou que a metodologia de trabalho da Peabody fez com que todos os incidentes, como as reclamações dos vizinhos e a verificação de segurança de gás, fossem tratados isoladamente, e que a associação tem uma cultura burocrática e "orientada por metas" que "não coloca o cliente no centro das suas ações".
Os vizinhos de Sheila estão avaliando se entram com um processo contra a Peabody. Eles alegam que fizeram tudo o que podiam para alertar a associação habitacional sobre a situação, mas que não receberam a devida atenção. Audrey, uma das vizinhas, se lembra de ter voltado de uma viagem de trabalho e sentir um cheiro desagradável "como o de um cadáver" ao pegar o elevador até o terceiro andar. Ela afirma que os vizinhos fizeram tudo o que podiam para alertar a Peabody, mas que a associação não tomou nenhuma providência.

