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Brasileiro vai para a copa de bicicleta



Apaixonado pela seleção brasileira, o mineiro Afonso Celso Dominguito, mais conhecido como Marreco, no auge dos seus 26 anos decidiu que iria assistir a copa do mundo de 1986, no México. Marreco realizou uma viagem que, para muita gente, seria uma missão literalmente impossível, ele subiu em uma bicicleta, modelo Caloi, que estava aos pedaços e, de sua cidade, pedalou até o México, cruzando a América do Sul e a América Central. 

Sem dúvida foi um percurso cheio de aventuras. Marreco partiu de Minas Gerais para São Paulo e depois Mato Grosso do Sul. Até ali a estrada era toda asfaltada, e isso facilitou. Pra comer ele recebeu doações e também chegou a pedir. Na época Marreco estava desempregado, sem nenhum recurso para arcar com a viagem, foi na loucura mesmo. Quando o cansaço batia, ele se ajeitava em um canto na beira da estrada e dormia.



Na Bolívia, as condições para pedalar não eram das mais favoráveis, e para se deslocar, Marreco optou por pegar carona no memorável Trem da Morte - essa linha férrea ficou famosa por fazer um trajeto perigoso com desfiladeiros e penhascos, para transportar doentes de uma grave epidemia de febre amarela que aconteceu na região de Santa Cruz no século passado. Mas Marreco não pegou carona como passageiro não, ele foi em um vagão de carga, em cima de caixas de contrabando,e ali,  se ajeitava e dormia a céu aberto. Ele e a Bike e mais uma galera hispânica. Foram três longos dias de viagem. 

Em sua bike, Marreco também passou pelo Peru, conhecido por ter pontos altos, e quanto mais ele pedalava, mais sua bicicleta quebrava, virava e mexia tinha que passar por reparos. Já no Equador rolou uma corrente de solidariedade, o brasileiro foi acolhido por uma família que pediu para os conhecidos nas cidades também o acolherem, e foi assim por quase todo o país. 



De frente com a morte


E um dos momentos mais tensos ocorreu na Colômbia, onde o brasileiro se viu de frente com a morte. Enquanto fazia seu percurso rumo ao México, Marreco foi arrastado para dentro da floresta por uns homens armados, com rosto coberto com um pano, conhecidos na região como Guerrilheiros do M19, um grupo de colombianos ligados às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia ( FARC ). Marreco foi amarrado e arrastado para um acampamento onde ficou preso por três dias, e só foi solto após prometer não contar para ninguém que o grupo estava por aquelas bandas. Por sorte, ou por forças divinas, esse não foi o fim do Marreco. Então, o mineiro seguiu feliz da vida, livre rumo a Copa do Mundo.

Essa aventura em cima de duas rodas não acaba por aqui. Até o México, Marreco passou por muitas situações. Para ouvir o episódio completo acesse de forma gratuita as plataformas de áudio: Spotify, Apple Podcast, Google Podcast ou Anchor. O podcast pode ser acompanhado pelo instagram @historiadeimigrante.

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