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O que foi o Concilio Vaticano II? É porque ele é tão discutido



O Concílio Vaticano II (CVII), XXI Concílio Ecumênico da Igreja Católica, foi convocado no dia 25 de Dezembro de 1961, através da bula papal "Humanae salutis", pelo Papa João XXIII. Este mesmo Papainaugurou-o, a ritmo extraordinário, no dia 11 de outubro de 1962. O Concílio, realizado em 4 sessões, só terminou no dia 8 de dezembro de 1965, já sob o papado de Paulo VI.


Nestas quatro sessões, mais de 2000 Prelados convocados de todo o planeta discutiram e regulamentaram vários temas da Igreja Católica. As suas decisões estão expressas nas 4 constituições, 9 decretos e 3 declarações elaboradas e aprovadas pelo Concílio. Apesar da sua boa intenção em tentar atualizar a Igreja, os resultados deste Concílio, para alguns estudiosos, ainda não foram totalmente entendidos nos dias de hoje, enfrentando por isso vários problemas que perduram. Para muitos estudiosos, é esperado que os jovens teólogos dessa época, que participaram do Concílio, salvaguardem a sua natureza; depois de João XXIII, todos os Papas que o sucederam até Bento XVI, inclusive, participaram do Concílio ou como Padres conciliares (ou prelados) ou como consultores teológicos (ou peritos).


Em 1995, o Papa João Paulo II classificou o Concílio Vaticano II como "um momento de reflexão global da Igreja sobre si mesma e sobre as suas relações com o mundo". Ele acrescentou também que esta "reflexão global" impelia a Igreja "a uma fidelidade cada vez maior ao seu Senhor. Mas o impulso vinha também das grandes mudanças do mundo contemporâneo, que, como “sinais dos tempos”, exigiam ser decifradas à luz da Palavra de Deus".


No ano 2000, João Paulo II disse ainda que: "o Concílio Vaticano II constituiu uma dádiva do Espírito à sua Igreja. É por este motivo que permanece como um evento fundamental não só para compreender a história da Igreja no fim do século mas também, e sobretudo, para verificar a presença permanente do Ressuscitadoao lado da sua Esposa no meio das vicissitudes do mundo. Mediante a Assembleia conciliar, [...] pôde-se constatar que o património de dois mil anos de fé se conservou na sua originalidade autêntica".


Todos os concílios católicos são nomeados segundo o local onde se deu o concílio episcopal. A numeração indica a quantidade de concílios que se deram em tal localidade. Vaticano II portanto, indica que o concílio ocorreu na cidade-Estado do Vaticano, e o número dois indica que foi o segundo concílio realizado nesta localidade.


Os concílios, que são reuniões de dignidades eclesiásticas e de teólogos, são um esforço comum da Igreja, ou parte da Igreja, para a sua própria preservação e defesa, ou guarda e clareza da Fé e da doutrina. No caso do Concílio Vaticano II, a necessidade de defesa se fez de modo universal, porque as situações contemporâneas de proporções globais abalaram a Igreja. Isto fez com que a autoridade universal da Igreja, na pessoa do Papa, se encontrasse persuadida a convocar um concílio universal ou ecumênico. A força do Concílio não reside nos bispos ou em outros eclesiásticos, mas sim no Papa, como pastor universal que declara algo como sendo próprio das Verdades reveladas (e, por isso, implica a obediência dos católicos). Fora disso, o Concílio tem apenas poder sinodal. Porém, quando o concílio está em comunhão com o Papa, e se o Papa falasse solenemente (ex cathedra) de matérias relacionadas com a fé e a moral, o episcopadoplenamente reunido torna-se também infalível.


Antecedentes históricos

Da Revolução Francesa ao início do século XX, passando por todo o século XIX, a Igreja Católica foi sendo "perseguida, difamada, dessacralizada e desacreditada" pelos liberais, pelos comunistas e socialistas e pelos radicais ateus. A Igreja, por outro lado, vendo tudo isso acontecer, condenou por isso as novas correntes filosóficas agnósticas e subjectivistas, que estão associadas à heresia modernista. Esta heresia foi fortemente condenada pelos Papas Gregório XVI (1831-1846), Pio IX (1846-1878) e São Pio X (1903-1914). Esta atitude foi também o espírito do Concílio Vaticano I (1869–70), que definiu o dogma da infalibilidade papal.


Por outro lado, floresceram também na Igreja tentativas de adaptação ao mundo moderno, através, como por exemplo, da "atitude de vários leigos católicos no campo político e social" (destaca-se Frédéric Antoine Ozanam, fundador da Sociedade de São Vicente de Paulo); da publicação da encíclica Rerum Novarum (1890) pelo Papa Leão XIII (1878-1903), que defendia os direitos dos trabalhadores; da criação da Acção Católica (1922) pelo Papa Pio XI (1922-1939); e da perda gradual de popularidade da Escolástica e do conseqüente aparecimento da Nouvelle Theologie (que é diferente do modernismo). Este movimento teológico do início do século XX, que é apoiado por alguns sectores eclesiásticos, defendia principalmente "a valorização da leitura das Sagradas Escrituras" (que foi também um dos temas da encíclica Divino afflante Spiritu do Papa Pio XII) e uma "volta às fontes", através do estudo da Bíblia e das obras patrísticas. Os defensores mais ilustres da Nouvelle Theologie foram os progressistas Karl Rahner, John Courtney Murray, Yves Congar, Joseph Ratzinger e Henri de Lubac. Teilhard de Chardin e Jacques Maritain também defenderam uma maior abertura da Igreja.


Ao mesmo tempo, principalmente depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a Cúria Romana "encontrava-se em franco processo de estagnação" e vários dos seus elementos mais tradicionais condenaram as novas tendências teológicas mais progressistas. Em 1950, o Papa Pio XII, na sua encíclica Humani Generis, chegou mesmo a alertar para os possíveis desvios "neo-modernistas" da Nouvelle Theologie. Enquanto que tudo isso aconteça, os bispos de todo o mundo tiveram que enfrentar novos problemas originados por drásticas mudanças políticas, sociais, económicas e tecnológico-científicas. É neste ambiente paradoxal, quer ao nível interno quer ao nível externo da Igreja, que muitos católicos sentiram a necessidade de a Igreja encontrar uma nova postura para enfrentar o mundo moderno.


E é também neste ambiente que o Papa João XXIII sentiu a necessidade urgente de convocar o Concílio Vaticano II. Aliás, "a ideia de um Concílio já havia sido pensada por Pio XI e mesmo por Pio XII, mas sem grandes sucessos em sua realização". João XXIII, "temendo um novo desastre, como foi o da Reforma Protestante", decidiu realizar este Concílio a todo o custo. Esta sua intenção foi anunciada por ele no dia 25 de janeiro de 1959, causando uma grande surpresa dentro da Cúria Romana e até dentro da Igreja Católica. Em Junho de 1960, através do motu proprio Superno Dei nutu, teve oficialmente início a preparação do Concílio. Passado apenas um ano, no Natal de 1961, João XXIII convocou oficialmente o Concílio para o ano seguinte (1962), através da bula papal "Humanae salutis". Esta convocação era "uma decisão totalmente pessoal do Papa, contrariando as opiniões de alguns cardeais, que pretendiam seu adiamento, em vista de uma melhor preparação".


Influência de Pio XII

Segundo o Papa Bento XVI, depois das Sagradas Escrituras, o Papa Pio XII é o autor ou fonte autorizada mais citada nos documentos do Concílio Vaticano II. Bento XVI considera que não é possível entender o Concílio Vaticano II sem levar em conta o magistério de Pio XII. (...) A herança do magistério de Pio XII foi recolhida pelo Concílio Vaticano II e proposta às gerações cristãs posteriores.

Nas intervenções orais e escritas, se encontram mais de mil referências ao magistério de Pio XII e o seu nome aparece mencionado em mais de duzentas notas explicativas dos documentos do Concílio, estas notas com freqüência constituem autênticas partes integrantes dos textos conciliares; não só oferecem justificativas de apoio para o que afirma o texto, mas também oferecem uma chave de interpretação, disse o Papa Bento XVI no discurso que dirigiu aos participantes do congresso sobre "A herança do magistério de Pio XII e o Concílio Vaticano II", promovido pelas universidades pontifícias Gregoriana e Lateranense, no 50º aniversário da morte de Pio XII (2008).

Como por exemplo, os conceitos e as ideias expressas na encíclica Mystici Corporis Christi (1943), do Papa Pio XII, influenciaram fortemente a redacção da constituição dogmática Lumen Gentium, que trata da natureza e da constituição da Igreja. Este documento do Concílio Vaticano II usou e defendeu o conceito de Igreja expresso nesta encíclica (a Igreja como Corpo místico de Cristo), que era baseado na teologia de São Paulo.


Missa tridentina

A Missa Tridentina é a liturgia da Missa do Rito Romano contida nas edições típicas do Missal Romano, que foram publicados de 1570 até 1962. Todas estas edições tinham a indicação "ex decreto sacrosancti Concilii Tridentini restitutum". As edições publicadas depois de 1969, que contém a Missa do Vaticano II, têm "ex decreto sacrosancti Oecumenici Concilii Vaticani II instauratum".


Chama-se tridentina (gentílico de Trento, na Itália) porque é baseada numa revisão do Missal Romano pedida pelo Concílio de Trento aos papas, e aplicada pelo Papa São Pio V em 1570.


Em 2007 o Papa Bento XVI no motu proprio Summorum Pontificum concedeu amplamente a possibilidade do uso da liturgia tridentina na forma que tinha em 1962 apesar da publicação de uma edição mais recente: nas missas privadas celebradas sem o povo, os padres da Igreja latina poderem usar livremente essa liturgia; e nas paróquias, onde houver um grupo estável de fiéis aderentes à precedente tradição litúrgica, o pároco dever acolher de bom grado as suas solicitações de terem a celebração da Santa Missa na forma de 1962.


Em 2021 foi revogado este motu proprio pelo do Papa Francisco Traditionis custodes e desde 16 de julho de 2021 a celebração da missa tridentina é lícita apenas quando autorizada, em conformidade com as orientações da Santa Sé, pelo bispo da diocese em que se realiza.


A frase "forma extraordinária do Rito Romano", empregada por Bento XVI, agora está oficialmente excluída para indicar a missa tridentina. A descricão usus antiquior (uso mais antigo) ou forma antiquior (forma mais antiga) ainda está em uso. Se chama também "missa em latim", embora de forma inadequada, uma vez que também a Missa do Vaticano II pode ser celebrada nesse idioma, de resto em linha com o que o Concílio Vaticano II na Constituição sobre a liturgia indicou ao não limitar a celebração exclusivamente a um só idioma. Outros a chamam em inglês de a "missa de sempre", a "missa de todos os tempos", a "missa das eras", ou a "missa gregoriana".

Na realidade, entre o tempo do Papa Gregório I (590–604) e o da revisão pelo Papa Pio V em 1570 o Rito Romano da Missa sofreu muitas modificações: houve uma fusão com elementos galicanos, em particular cerimônias dramáticas e simbólicas alheias ao espírito original da liturgia romana, como a bênção de velas, cinzas, ramos, e uma parte considerável da liturgia da Semana Santa; outras adições eram a recitação do Credo, a incensação de pessoas e objetos, orações privadas do sacerdote antes da Comunhão. Pio V tornou obrigatória a recitação do salmo Iudica e do Confiteor no início da Missa e inseriu tudo o que na Missa Tridentina segue o Ite missa est. Por volta do século XIII a concelebração tinha desaparecido no Ocidente, e vários padres celebravam a Missa simultaneamente em diferentes altares, não cantando e em grande medida inaudivelmente, dando origem ao que se chamava a Missa privada, na qual o sacerdote fazia quase tudo o que antes era do diácono e outros ministros.

Apesar destas grandes diferenças, principalmente fora do Cânone da Missa, entre as formas do rito romano e as ainda mais grandes diferenças entre os vários ritos litúrgicos cristãos, a essência da Missa fica em toda parte idêntica: "Posta em paralelo a Missa Romana com todas as liturgias orientais, sem exceção, tanto as "cismáticas" quanto as "uniáticas", constata-se que certas cerimônias são rigorosamente idênticas quanto ao essencial: intocadas, verdadeiramente sagradas porque pertenciam à instituição de Jesus Cristo ou dos Apóstolos. Reconhecidas como essencialmente necessárias para que o padre pudesse realizar "ISTO" que o Senhor realizara na Ceia."

Menos comumente, em círculos onde a Missa do Vaticano II é chamada de Novus Ordo Missae, usa-se para a missa tridentina a expressão Vetus Ordo Missae (Velho Ordinário da Missa). Na realidade, o Ordinário é apenas uma parte do texto da Missa, junto com o Próprio e do Comum: compõe as partes da liturgia da missa que normalmente não mudam, sem levar em conta a data em que seja executada, enquanto o Próprio é a parte da liturgia que varia de acordo com a data, devido à comemoração de uma festa litúrgica dentro do ano litúrgico ou de um determinado santo ou evento significativo, e o Comum, que contém as orações que são comuns a toda uma categoria de santos, como apóstolos ou mártires.

Introdução

Existem muitas evoluções entre a missa de 1570 e a missa dos primeiros séculos em Roma até a codificação pelo Concílio de Trento. Já antes do Papa Gregório I (590-604) houve, entre outras mudanças, uma revisão radical do cânon da missa e uma redução do número das leitura bíblicas.O Papa Gregório I também reformou o rito romano, ancorando o Pai-Nosso ao final do cânon,  mudando a ordem de algumas partes do cânon,inserindo a oração Hanc igitur no Cânon, e introduziu Christe eleison ("Cristo, tende piedade")como variação de Kyrie eleison ("Senhor, tende piedade"). Outros elementos da forma tridentina do rito romano apareceram mais tarde, como o Credo (1014 em Roma) e as orações do ofertório (século XIII).


O Concílio Vaticano II (1962-1965), na constituição Sacrosanctum Concilium (1963), mandou rever o rito da missa, assim como os restantes livros litúrgicos, segundo os princípios enunciados na mesma constituição. Tal ordem foi executada por um grupo de especialistas em liturgia, Bíblia e teologia, nomeados pelo Papa Paulo VI, que promulgou em 1969 o revisado Missal Romano, do qual foi publicado imediatamente o Ordinario e o texto completo no ano seguinte. Este Missal Romano reformado conheceu até hoje três edições, em 1970, 1975 e 2002.


Contudo, os católicos chamados tradicionalistas, descontentes com o Concílio Vaticano II e com o rumo então tomado pelas autoridades eclesiásticas, não receberam com bons olhos o novo missal, preferindo celebrar a missa na forma anterior. Eles alegam que a nova forma da missa dessacraliza o Sacrifício de Cristo e é muito próxima à Ceia Luterana e outras cerimônias protestantes, sendo influenciada pela maçonaria e por sacerdotes modernistas. Entre estes, notabilizou-se o arcebispo Marcel Lefebvre, fundador da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, um dos mais notáveis grupos tradicionalistas. Além deste, há grupos católicos tradicionais em boas relações com a Santa Sé e com os Bispos da Igreja Católica, entre os quais a Fraternidade Sacerdotal São Pedro, enquanto outros tradicionalistas, entre os quais a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, estão em desacordo. Característica comum de todos estes grupos é celebrarem a missa tridentina, utilizando para isso ou a última edição típica do Missal Romano antes da reforma de Paulo VI – a edição publicada pelo Papa João XXIII em 1962 – ou uma edição mais antiga que não contem as mudanças feitas por João XXIII e Pio XII.


Bento XVI afirmou que o missal de 1962 nunca foi ab-rogado juridicamente, afirmação que já antes da revogação de seu motu proprio os canonistas e os liturgistas declararam supreendente e difícil de interpretar.


Por quarenta anos depois da promulgação da Missa do Vaticano II (em 1969) era necessário obter um indulto para celebrar licitamente a missa tridentina; em 1984 a carta Quattuor abhinc annos atribuiu aos bispos a faculdade de concederem tais autorizações, disposiçõe confirmada pelo motu proprioEcclesia Dei, de 1988.


Em 7 de Julho de 2007, o papa Bento XVI promulgou o motu proprio "Summorum Pontificum", em que liberalizou o uso do Missal Romano editado em 1962, cujo uso deixava ao arbítrio da cada padre da Igreja latina nas missas celebradas sem o povo, podendo também a celebração pública ser permitida, sem recorrer ao bispo diocesano, pelo reitor da igreja se solicitada por um grupo estável de fiéis. Porém esta disposição foi revogada em 16 de julho de 2021 (Traditionis custodes) e desde então a celebração da missa tridentina é lícita apenas quando autorizada, em conformidade com as orientações da Santa Sé, pelo bispo da diocese em que se realiza




Face às doutrinas propagadas pelos protestantes, o Concílio de Trento reafirmou a doutrina católica sobre a Missa, sobretudo nas sessões XIII, em que versou sobre a presença real de Jesus Cristo na Eucaristia, e na XXII, sobre o sacrifício. Além disso, mandou elaborar uma lista de abusos cometidos na celebração da missa, a partir da qual promulgou um documento acerca das "coisas a observar e a evitar na celebração da missa". Tais abusos podem reduzir-se a avareza, irreverência e superstição.


A fim de eliminar esses abusos, era intenção do Concílio proceder à reforma dos livros litúrgicos. No entanto, como o Concílio já acontecia há vários anos, os padres conciliares decidiram, na última sessão, incumbir o Papa Pio IV dessa função. Contudo, foi Pio V que realizou tal incumbência, promulgando, em 1570, através da bula Quo primum tempore, o Missal Romano revisado. Nessa bula, Pio V esclarece que o objectivo da revisão dos livros litúrgicos era restaurar os ritos "em conformidade com a antiga norma dos Santos Padres". No entanto, como afirma a Instrução Geral do Missal Romano, documento que acompanha o Missal do Vaticano II, "este Missal de 1570 pouco difere do primeiro impresso em 1474, o qual, por sua vez, reproduz fielmente o Missal do tempo de Inocêncio III. Além disso, se bem que os códices da Biblioteca Vaticana tenham ajudado a corrigir algumas expressões, não permitiram, naquela diligente investigação dos “antigos e mais fidedignos autores” ir além dos comentários litúrgicos da Idade Média."


O rito da missa foi posteriormente revisto por outros papas em 1604, 1634, 1888, 1920, 1955 e 1962. Estas reformas, contudo, foram pouco significativas, exceptuando algumas mais importantes:


Em 1604, Clemente VIII eliminou uma oração a dizer pelo sacerdote ao entrar na igreja, a palavra omnibus nas duas orações a seguir ao Confiteor, o nome do imperador no Cânon Romano e tríplice bênção da missa solene;

Pio XII, em 1956, renovou a liturgia da Semana Santa;

João XXIII publica em 1960 um novo código das rubricas da Missa e insere no Cânon Romano o nome de São José. São estas modificações que dão origem ao missal de 1962, última edição do missal tridentino. Na bula que o acompanha, João XXIII faz referência ao Concílio Vaticano II, então já convocado, que deveria propor os grandes princípios da reforma da liturgia. Esta edição tornou-se a referência para a celebração actual da missa tridentina.

Características da missa tridentina

A estrutura, os momentos e seu significado e grande parte dos textos litúrgicos da missa tridentina mantiveram-se com poucas alterações no Missal actual. No entanto, houve uma série de aspectos alterados. Para uma descrição dos vários momentos da Missa do Vaticano II e do seu significado, consulte o artigo Missa.


As características mais visíveis da missa tridentina são o uso do latim como língua litúrgica exclusiva (exceto na renovação dos votos batismais na Vigília pascal a partir de 1956), assim como a posição do sacerdote, geralmente virado de costas para os fiéis (mas não obrigatoriamente: o Missal tridentino prevê expressamente casos em que o sacerdote celebre voltado para o povo). No entanto, essas diferenças, embora as mais visíveis, são na verdade circunstanciais.


De facto, até Pio XII admitir o uso de idiomas modernos na renovação dos votos batismais na Vigília da Páscoa, a Missa Tridentina admitia o uso apenas do latim, com exceção de algumas frases como Kyrie eléison em grego e frases como Amen e Alleluia em hebraico.


A posição "de costas ao povo" é chamada também (ao menos quando se celebra no altar-mor) versus absidem. e também "ad orientem", ou "versus Deum", mesmo quando o padre celebra num altar sem sacrário: o Missal tridentino do ano 1570 não previa a colocação do sacrário num altar, prática que só começava a introducir-se no século XVI),Em todas as edições do Missal Romano anteriores ao 1970, também a do 1962, mencionava-se explicitamente a eventualidade de celebrar versus populum (de frente para o povo), quando nas igrejas, como em todas as mais antigas de Roma, o altar está na extremidade ocidental.


Por outro lado, todas as edições do Missal actual são feitas originalmente em latim, e a Missa pode sempre ser celebrada nessa língua a menos de estar programada para um povo que usa um idioma específico. Do mesmo modo, o novo Missal não proíbe que a Missa seja celebrada de costas para o povo, o que acontece sempre que, por exemplo, numa igreja o altar não permite que seja celebrada doutra forma.


Na Missa tridentina só o sacerdote e um acólito, sacristão ou ajudante proferem tradicionalmente os textos da missa. Nalguns lugares foi introduzido poucas décadas antes do Concílio Vaticano II o uso de todos os fiéis presentes proferirem os textos destinados ao ajudante. Tal prática, a das chamadas missas dialogadas, salvo costumes locais, vulgarizou-se no séc. XX, graças às propostas do chamado Movimento Litúrgico, que propunha o enriquecimento da participação litúrgica também na expressão exterior.


Os assistentes da missa tridentina muitas vezes acompanham a cerimónia através dum livro que apresenta os textos litúrgicos com a respectiva tradução (missal dos fiéis). Outras vezes vão fazendo outras orações, tais como o terço. 


Além disso, a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X (FSSPX) publicou em 2009 um folhete intitulado "As 62 razões para não assistir à Missa Nova".No entanto, há que ter em conta que, tal como o Papa Bento XVI afirmou, a FSSPX não tem estatuto canónico regular na Igreja Católica e, por causa dessa falta de estatuto, os ministérios exercidos pelos seus sacerdotes não são legítimos na Igreja.


Liturgia da missa tridentina

A missa é dividida em duas partes, a Missa dos catecúmenos e a Missa dos Fiéis. Os Catecúmenos, são aqueles que estão sendo instruídos na fé, e são dispensados após a primeira parte da missa, por não terem ainda sido batizados e compreenderem os dogmas da fé católica.


Assim a regra da Didache do século II ainda está em vigor, tanto depois quanto antes do 1970, sendo uma das três condições (batismo, fé reta e vida reta) para a admissão de receber a Sagrada Comunhão, que a Igreja Católica sempre aplicou.


Antes da missa

O Asperges (aspersão com água benta, acompanhada do Salmo 51:3-9) é um rito penitencial que normalmente precede a missa principal do domingo. Na sacristia, o sacerdote veste uma alva, se irá celebrar a missa, ou uma sobrepeliz, se ele não é o celebrante, revestido com uma estola, da respectiva cor litúrgica se o sacerdote é o celebrante da Missa, ou roxa se ele não é o celebrante, exorciza o sal e abençoa a água, em seguida, coloca o sal abençoado na água por três vezes, polvilhando-o na forma de uma cruz enquanto diz uma vez "Commixtio salis et aquæ pariter fiat in nomine Patris, et Filii et Spiritus Sancti" ("Que essa mistura de sal e água agora seja feita em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo"). Depois disso, o sacerdote, investido com uma pluvial da cor do dia, enquanto a schola cantorum canta uma antífona e um versículo dos Salmo 118: ou do Salmo 51:3-9, polvilha com a água benta o altar três vezes e, em seguida, o clero e a congregação. Este rito, se usado, precede as orações ao pé do altar.

Durante o Tempo da Páscoa, o versículo "Asperges me..." é substituído pelo versículo "Vidi aquam ...", e a expressão "Aleluia" é adicionado ao versículo "Ostende nobis ...", que é a sua resposta. Seguindo o Asperges, a Missa começa.

Missa dos catecúmenos

A primeira parte é a Missa dos Catecúmenos.

Orações ao pé do altar


O padre fazendo as Orações ao pé do altar. Capela da Fraternidade Sacerdotal São Pedro, Veneza.

Sinal da Cruz

O sacerdote, após a procissão com os coroinhas da missa, na Missa Baixa, coloca o cálice velado no centro do altar, então fica na frente dos degraus sobre o qual está construído o altar, fazendo o sinal da cruz “ao pé do altar”. Na Missa Solene, o cálice é colocado antes da missa sobre a credência. O Missal Romano que contém todas as orações que o padre deve recitar na missa, está depositado no lado direito do altar. Na extrema direita, esquerda, e no centro estão três painéis, denominados Sacras,com orações que o padre deve dizer na missa, e que devido a distância do padre do Missal no momento, não podem ser feitas olhando para o mesmo.

Salmo 43:, ("Iúdica me, Deus" – "Julga-me Deus"), precedido e seguido pela antífona "Introíbo ad altáre Dei, ad Deum qui lætíficat iuventútem meam" (“Entrarei no altar de Deus, o Deus que alegra minha juventude)”, é recitado pelo sacerdote, alternado com os coroinhas, que simbolicamente representam o povo. Em seguida, o sacerdote faz novamente o sinal da cruz, dizendo: "Adiutórium nostrum in nómine Dómini” ("O nosso auxílio está no nome do Senhor"), em que os coroinhas respondem: “Qui fecit cælum et terram” ("Que fez o céu e a terra").

Confissão ("Confiteor")

Primeiro, o sacerdote extremamente inclinando diz o seguinte: "Confiteor Deo omnipoténti..." ("Confesso a Deus todo-poderoso"). Confessa ter pecado, rezando duas vezes “mea culpa” ("minha culpa"), e uma terceira vez "mea máxima culpa" ("minha máxima culpa"), bate com a mão no peito três vezes. Em seguida pede a intercessão da Virgem Maria, de João Batista, de Miguel Arcanjo, e de São Pedro e São Paulo, e acrescenta “et vobis, fratres”, pedindo também à congregação que reze por ele.

Os coroinhas após a confissão do padre, o abençoam dizendo: “Misereátur tui omnípotens Deus, et dimissis peccátis tuis, perdúcat te ad vitam ætérnam” ("Deus Todo-Poderoso tenha misericórdia de ti, perdoar-te dos teus pecados, e te conduza a vida eterna"). Em seguida, é a vez dos coroinhas de confessar seus pecados e pedir a bênção do padre. Eles usam as mesmas palavras usadas pelo sacerdote, porém pedem orações ao padre, e não à congregação, dizendo portanto “et tibi, Pater” ("e ti Padre"), no lugar de “et vobis, fratres”. O padre em seguida, responde com a mesma bênção que os coroinhas usaram, porém, como demonstração de seu específico cargo sacerdotal, acrescenta uma prece de absolvição: “Indulgéntiam absolutiónem, et remissiónem peccatórum nostrórum, tríbuat nobis omnípotens et miséricors Dóminus” (“Indulgência, absolvição e remissão dos nossos pecados, nos conceda o Onipotente e Misericordioso Deus”)

Então, três versículos são ditos pelo padre e os coroinhas, são eles “Deus, tu convérsus vivificábis nos" ("Dai-nos Senhor a vida"); “Osténde nobis Dómine, misericórdiam tuam” (“Mostra-nos, Senhor, tua misericórdia”); e “Dómine, exáudi oratiónem meam” (“Ó Senhor, ouve a minha oração”);

Ao terminá-los o padre reza pela primeira vez na missa o “Dóminus vobíscum” (“O Senhor esteja convosco”), cuja resposta dos coroinhas é: “Et cum spíritu tuo” (“E com o teu espírito)”, então o padre diz: "Orémus" ("Vamos orar"). Depois disso, ele vai para o altar, rezando em silêncio “Aufer a nobis, quǽsumus, Domine, iniquitátes nostras: ut ad Sancta sanctórum puris mereámur méntibus introíre” (“Limpa-nos das nossas iniquidades Senhor, para que, com mentes puras possamos entrar dignamente no santo dos santos)", que é uma referência a Êxodo 26:33-34, I Reis 6:6-16,  III Reis 6:16,  I Reis 8:6, II Crônicas 3:8, Ezequiel 41:4, e outros. Ele coloca as mãos unidas sobre o altar e o beija enquanto silenciosamente reza “Orámus te, Dómine, por mérita Sanctórum tuórum, quorum relíquiae hic sunt, et ómnium Sanctórum: ut indulgére dignéris ómnia peccáta mea” (“Rezamos a ti Senhor, para que, pelos méritos dos teus Santos cujas relíquias estão neste altar, e de todos os santos, Deus se digne a perdoar todos os meus pecados”).

O padre no altar

Introito

O padre de novo faz um sinal da cruz, enquanto ele começa a ler o Introito, alguns versículos que normalmente são retirados de um Salmo. Exceções ocorrem por exemplo, no Introito para o domingo da Páscoa, que é adaptado de Sabedoria 10:20-21, e a antífona nas missas da Virgem Maria, que são do poeta Sedúlio.

Kyrie

Esta parte da Missa é rezada em grego. Em que o padre e o servidor intercalam, três "Kyrie, eleison”; três “Christe, eleison”, e por fim outros três “Kyrie, eleison"; que significam "Senhor, tem misericórdia, Cristo; tem misericórdia..."

Gloria in excelsis Deo

A primeira linha do Gloria é tirado Lucas 2:14,. O Glória é omitido durante tempos litúrgicos de penitência, como o Advento e a Quaresma, ambos geralmente tendo a cor violeta litúrgica, mas é usado em festas durante estas estações, bem como na Quinta-feira Santa. É sempre omitido em uma Missa de Réquiem.

A Coleta

O padre vira-se para o povo e diz: "Dominus vobiscum". Os servidores respondem: "Et cum spiritu tuo" ("O Senhor esteja com vocês." "E com teu espírito"). A coleta é uma oração que não é diretamente retirada da Escritura, mas reflete as intenções do tempo litúrgico, ou da festa do santo do dia.

Instrução

O sacerdote então lê a Epístola, principalmente um extrato das Epítolas de São Paulo para várias igrejas. Em seu motu proprio Summorum Pontificum, o Papa Bento XVI permitiu sua leitura em língua vernácula, quando a Missa é celebrada com o povo.

Entre a Epístola e o Evangelho, dois versículos (raramente três) do coro são cantados ou somente rezados. Geralmente estes são o gradual, que é seguido por um Aleluia, mas no domingo da Septuagésima, e no Sábado Santo, ou em uma Missa Requiem ou outro missa penitencial, o Aleluia é substituído por um Trato, e entre a Páscoa e o domingo de Pentecostes o Gradual é substituído por um segundo Aleluia. Em algumas ocasiões excepcionais (mais notavelmente a Páscoa, Pentecostes, Corpus Christi, e em uma Missa de Requiem), uma seqüência, segue o Aleluia ou o Trato.

O Gradual é parcialmente constituído pela porção de um salmo.

A leitura do Evangelho, é um trecho de um dos quatro Evangelhos, o Evangelho deve ser recitado no lado esquerdo do altar, chamado por isso mesmo “Lado do Evangelho”, por isso o servidor da missa, pega o Missal Romano, na parte da extrema direita do altar, e o muda para a parte da extrema esquerda.

Enquanto o servidor muda o Missal de lugar, antes de ler ou cantar o Evangelho, o sacerdote reza: leitura “Munda cor meum ac lábia mea, omnípotens Deus, qui lábia Isaíæ Prophétæ cálculo mundásti igníto: ita me tua grata miseratióne dignáre mundáre, ut sanctum Evangélium tuum digne váleam nuntiáre” ("Limpa meu coração e os meus lábios, ó Deus Todo-Poderoso, como limpaste os lábios do profeta Isaías com um carvão em brasa; através da Tua misericórdia graciosa purifica-me para que eu possa dignamente anunciar Teu santo Evangelho)", uma referência a Isaías 6:6. Nesta passagem, depois de ser purificado por um anjo, Isaías foi instruído a profetizar.

O Sermão

Antes do sermão, que o Missal tridentino prevê apenas na Missa Solene e trata como meramente facultativo, o padre pode fazer anúncios, especialmente de casamentos, eventos para a semana, e os pedidos de oração para um doente ou morto. Se a Epístola e o Evangelho foram lidos em latim, é habitual o padre ler uma tradução vernácula pelo menos do Evangelho, antes de dar o sermão. O Concílio Vaticano II rendeu obrigatória a homilia em todos os domingos e festas de preceito nas Missas celebradas com o povo. De acordo com o Código de Direito Canônico de 1917, esta obrigação referia-se unicamente aos párocos, permitindo-se além ao Ordinário do lugar decretar que em todas as igrejas, até dos religiosos, se desse uma instrução sobre a doutrina cristã nas Missas celebradas com presença dos fiéis.

O Credo niceno-constantinopolitano

Em todos os domingos e em certas festas diz-se ou canta-se o Credo, como parte da "Missa dos Catecúmenos" e não – como poderia parecer lógico – como parte da "Missa dos Fiéis".

Missa dos Fiéis


Ofertório


Antífona de Ofertório

Depois de cumprimentar o povo mais uma vez ("Dominus vobiscum/Et cum spiritu tuo") e fazendo o convite para orar (“Oremus”), mas sem fazer seguir nenhuma oração - trata-se de vestígio da antiga "oração dos fiéis", que a Missa do Vaticano II reintegrou, – o sacerdote começa a segunda parte da missa, considerada a mais importante, a “Missa dos Fiéis”, da qual os não-batizados assistiam a “Missa dos Catecúmenos”, não podem participar, sendo por isso, dispensados da igreja. O padre então lê a antífona do ofertório, que é uma breve citação da Sagrada Escritura, que varia de acordo com a missa de cada dia, rezando com as mãos unidas.

Oferecimento do Pão e do Vinho

O sacerdote oferece a hóstia a Deus, colocando-a na patena, e segurando esta no nível do peito, e rezando para que, embora ele seja indigno, Deus possa aceitar "esta hóstia impecável” (o significado básico de “hóstia” em latim, é “vítima”) para o perdão de seus próprios inumeráveis pecados, ofensas e negligências, e o de todos os presentes, e para o dos fiéis cristãos vivos e mortos, para que sirva para a salvação deles. Ele, então, deposita no cálice uma pequena quantidade de vinho, e em seguida o mistura com algumas gotas de água, que lhe são trazidas pelos servidores nas “galhetas”, ele então segura o cálice de modo que a borda deste fique na altura de seus lábios, e oferece "o cálice da salvação", fazendo uma oração de contrição adaptada do texto de Daniel 3:39-40.

Incensação das oferendas e dos fiéis

Em uma Missa Solene, o padre abençoa o incenso trazido ao altar em um turíbulo pelos servidores, em seguida, incensa o pão e o vinho no altar. Entre as orações, o sacerdote diz alguns versículos do Salmo 141:2: "Dirigátur, Dómine, oratio mea, sicut incénsum in conspéctu tuo: elevatio mánuum mearum sacrificium vespertínum..." (“Que a minha oração, Senhor, seja dirigidas como incenso diante de ti; elevem-se as minhas mãos como o sacrifício da tarde..."), que é a oração feita enquanto o padre incensa o altar. O padre então dá o turíbulo ao servidor, que incensa o sacerdote, e em seguida, os outros ministros e a congregação.

Lavar as mãos

Os servidores trazem até o sacerdote uma bacia e um vaso com água, no qual ele lava as mãos rezando o Salmo 26:6-12: “Lávabo inter innocéntes manus meas: et circúmdabo altáre tuum, Dómine. Ut áudiam vocem laudis: et enárrem univérsa mirabília tua. Dómine, diléxi decórem domus tuæ...” (“Eu lavo as minhas mãos entre os inocentes, que circundam o teu altar, Senhor. Que eu possa ouvir a voz de louvor, e contar todas as tuas maravilhas. Amo, ó Senhor, a beleza da tua casa..."), em seguida reza um Gloria Patri.

Oração à Santíssima Trindade

Esta oração pede que a Trindade Divina receba a oferta sendo feita em memória da paixão, ressurreição e ascensão de Jesus e em honra da sempre Virgem Maria e os outros santos,

Orate Fratres, Suscipiat e Secreta;

Aqui, o padre se vira para a congregação e diz as duas primeiras palavras: "Orate, fratres" (“Orai Irmãos”), em um tom elevado e então se vira novamente para o altar, enquanto termina a exortação em tom secreto: “ut meum ac vestrum sacrificium acceptábile fiat apud Deum Patrem omnipoténtem” ("para que o meu sacrifício e o vosso possa ser aceitável a Deus Pai todo-poderoso").

Os servidores respondem com a oração denominada Suscipiat, em que unem suas intenções às do sacerdote: “Suscipiat Dominus sacrificium de manibus Tuis, ad laudem et gloriam Nominis sui, ad utilitatem quoque Nostram, totiusque Ecclesiae suae Sanctae”, em seguida o padre secretamente responde, "Amém” ("Aceite este sacrifício por meio de suas mãos, para louvor e glória do Seu nome, para nossa utilidade, e de toda a Sua Santa Igreja").

O sacerdote, então, diz a “Secreta”, uma oração sobre as oblatas, com sentido de oferecimento, em voz inaudível, que conclui com “Per omnia sæcula sæculorum” (“Por todos os séculos dos séculos”) em voz alta.

Os servidores então respondem: "Amém", que conclui o Ofertório.

Cânon

Prefácio do Cânon

"A data do estabelecimento do Cânon é antes de São Gregório Magno, que morreu em 604. Ele contém os principais elementos encontrados em quase todos os ritos, mas num arranjo invulgar.

Há um diálogo entre o padre e a congregação, que se inicia com o “Dominus vobiscum - Et cum spiritu tuo”, e é sucedido pelo “Sursum corda - Habemus ad Dominum” (“Levantai os vossos corações - Os elevamos ao Senhor”), “Gratias agamus Domino Deo nostro – Dignum et iustum est” (“Demos graças ao Senhor nosso Deus - É digno e justo”).

Em seguida o “Prefácio” é rezado, que indica razões específicas para dar graças a Deus. Isto conduz a oração do Sanctus.

Cânon ou “Regra da consagração”,que é rezado de maneira inaudível,por ser uma prece puramente sacerdotal, pertencente exclusivamente ao sacerdote, sendo também o silêncio uma reverência ao momento mais sagrado da missa;

Intercessões

Compreendem, uma série de quatro orações, são elas o Te Igitur, In Primis, a Primeiro Memória - Memória dos vivos, e o Communicantes - Memória dos Santos, nessas orações o padre reza pela vida, para que Deus guarde, una e governe a Igreja, pede pela santificação dos cristãos vivos e implora o auxílio dos santos.

Orações preparatórias para a consagração

Trata-se de duas orações, o Hanc igitur, e o Quam oblationem, duas preces nas quais o sacerdote pede que Deus aceite a oferta dele e da Igreja.

Consagração (transubstanciação) e Elevação maior

A passagem Lucas 22:19-20 é fundamental nesta seção, compreendendo duas orações, Qui pridie, pelo qual se consagra o pão, e Simili modo, pelo qual se consagra o vinho. É considerado a parte essencial da missa, de instituição divina.

Oblação da vítima a Deus

A oferta e sacrifício de Cristo pelo perdão dos pecados, é feito em três orações, Unde et memores, Supra quae, e Suplices te rogamus

Intercessões

O padre agora faz duas intercessões, uma pelos mortos, pedindo que eles repousem, trata-se da “Memória dos Mortos”, que é seguida por outra intercessão, agora feita para os vivos, na qual se cita João Batista e 14 mártires (sete homens e sete mulheres), que são mencionados pelo nome, trata-se da “Segunda Memória dos Vivos”. Nesta última oração, as primeiras palavras, o padre fala em voz alta: “Nobis quoque peccatoribus” (“Por nós pecadores”), para indicar que está rezando pelos fiéis cristãos, que são devido a sua natureza, considerados pecadores. Logo em seguida o padre volta a rezar inaudivelmente.

Fim do Cânon e doxologia com elevação menor

A conclusão do Cânon ocorre com a doxologia é: “Per ipsum, et cum ipso, et in ipso, est tibi Deo Patri omnipotenti, in unitate Spiritus Sancti, omnis honor et gloria" (“Por ele, e com ele, e nele, ó Deus, Pai todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda honra e glória é sua”), terminando a frase dizendo em voz alta: "Per omnia saecula saeculorum" (“Por todos os séculos dos séculos”), concluindo o Cânon, dizendo em seguida “Amen”.

Comunhão

O Pai Nosso e o Libera nos

O Padre reza o Pai Nosso, e em seguida a congregação responde os últimos versículos: “sed libera nos a malo” (“mas livrai-nos do mal”). O sacerdote então reza o "Libera-nos", que é uma extensão do Pai Nosso, rezando para que a Virgem Maria, juntamente com os apóstolos e santos, possam interceder pelos homens, para obter paz.

Fração da hóstia

Durante a oração anterior, o sacerdote parte a hóstia consagrada em três partes, e depois de concluir a oração deposita a menor parte no cálice, enquanto reza pedindo pela eficácia do sacrifício de Cristo.

gnus Dei

"Agnus Dei" significa "Cordeiro de Deus", nela o sacerdote reza duas vezes: “Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi: miserére nobis” ("Cordeiro de Deus, que tiras os pecados do mundo, tende piedade de nós") e em seguida, acrescenta: “Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi: dona nobis pacem” ("Cordeiro de Deus, que tiras os pecados do mundo, dai-nos a paz"). A Missa da Última Ceia de Quinta-feira Santa tem três "tem misericórdia de nós". Nas missas de réquiem, as petições são “dona eis réquiem” ("concede-lhes descanso") (duas vezes), seguido por “dona eis réquiem sempitérnam” ("concede-lhes o descanso eterno").

"Pax"

O padre pede a Cristo para não olhar para os pecados do sacerdote, mas para ver a fé da Igreja e reza pela paz e unidade nela. Em uma Missa Solene, o celebrante dá o sinal de paz para o diácono, dizendo: “Pax tecum” ("A paz esteja contigo"), que é respondido com “Et cum Spiritu tuo” ("E com o vosso espírito").

Orações preparatórias para a Comunhão

São duas orações, na primeira o padre pede para ser liberado de todas as suas iniquidades e maldades, e pede forças para aderir aos mandamentos de Jesus e nunca se separar dele. Na segundo, ele pede que não seja condenado por ousar consumir o Corpo e o Sangue de Cristo.

Comunhão

O sacerdote diz em silêncio várias orações aqui, antes de receber a comunhão. Em uma deles, ele fala três vezes, sendo a primeira linha da oração audível, e o restante silencioso, enquanto possui a hóstia na mão esquerda e bate no peito com a mão direita, baseado em Mateus 8:9, dizendo “Dómine, non sum dignus (et secrete prosequitur): ut íntres sub tectum meum: sed tantum dic verbo, et sanábitur ánima mea” ("Senhor, eu não sou digno (e prossegue secretamente): de que entreis sob meu teto, mas dizei uma palavra, e minha alma será salva").

O sacerdote distribuirá a comunhão para a congregação na missa, ele pega uma pequena hóstia, elevando-a em cima de um cibório, e diz em voz alta: “Ecce Agnus Dei, ecce qui tollit peccáta mundi” ("Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo"), e os demais repetem três vezes o “Dómine, non sum dignus”. O padre dá a comunhão primeiramente aos demais clérigos presentes, em seguida aos coroinhas e aos fiéis. Ao dar a hóstia na boca dos demais, faz com a mesma o sinal da cruz e diz: “Corpus Dómini nostri Jesu Christi custódiat ánimam tuam in vitam æternam. Amen.” ("Que o Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo guarde a tua alma para a vida eterna Amém").

Conclusão

Orações de ação de graças

São orações que se concentram sobre o Corpo e o Sangue de Cristo recebido, implorando que o preservam na retidão moral e doutrinária.

Antífona de Comunhão e Pós-comunhão

A antífona de comunhão é normalmente alguns versículos de um salmo. A Oração de pós-comunhão é semelhante A Coleta, não sendo diretamente retirado das Escrituras.

Ite missa est e Bênção

"Ite Missa Est", é a frase que indica que a Missa terminou e os fiéis em seguida podem retirar-se.

Depois de dizer uma oração silenciosa para si, o sacerdote dá ao povo a sua bênção.

O Último Evangelho

O sacerdote então no lado direito do altar lê o início do Evangelho de João, João 1:1-14, que relata a Encarnação de Cristo. Em certas ocasiões, como por exemplo, na missa do dia no dia de Natal, outra passagem do Evangelho era lida, pois estes trechos foram ditos no Evangelho da Missa, mas o Papa João XXIII na revisão das rubricas, decretou que nessa e outras ocasiões, o Último Evangelho deve ser omitido.

Orações depois da missa

As edições do Missal Romano até 1962, recomendavam constantemente várias orações, embora não as considerasse obrigatórias, para a recitação do padre depois da missa privada.O “Cântico dos Três Jovens” (do Livro de Daniel)é uma dessas orações.



LEIA ABAIXO DOCUMENTO OFICIAL DA IGREJA SOBRE O CONCILIO 




CONSTITUIÇÃO DOGMÁTICA


DEI VERBUM 

SOBRE A REVELAÇÃO DIVINA


 


PROÉMIO


 

Intenção do Concílio


1. O sagrado Concilio, ouvindo religiosamente a Palavra de Deus proclamando-a com confiança, faz suas as palavras de S. João: «anunciamo-vos a vida eterna, que estava junto do Pai e nos apareceu: anunciamo-vos o que vimos e ouvimos, para que também vós vivais em comunhão connosco, e a nossa comunhão seja com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo" (1 Jo. 1, 2-3). Por isso, segundo os Concílios Tridentino e Vaticano I, entende propor a genuína doutrina sobre a Revelação divina e a sua transmissão, para que o mundo inteiro, ouvindo, acredite na mensagem da salvação, acreditando espere, e esperando ame (1).


   


CAPÍTULO I


A REVELAÇÃO EM SI MESMA


Natureza e objecto da revelação


2. Aprouve a Deus. na sua bondade e sabedoria, revelar-se a Si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade (cfr. Ef. 1,9), segundo o qual os homens, por meio de Cristo, Verbo encarnado, têm acesso ao Pai no Espírito Santo e se tornam participantes da natureza divina (cfr. Ef. 2,18; 2 Ped. 1,4). Em virtude desta revelação, Deus invisível (cfr. Col. 1,15; 1 Tim. 1,17), na riqueza do seu amor fala aos homens como amigos (cfr. Ex. 33, 11; Jo. 15,1415) e convive com eles (cfr. Bar. 3,38), para os convidar e admitir à comunhão com Ele. Esta «economia» da revelação realiza-se por meio de acções e palavras ìntimamente relacionadas entre si, de tal maneira que as obras, realizadas por Deus na história da salvação, manifestam e confirmam a doutrina e as realidades significadas pelas palavras; e as palavras, por sua vez, declaram as obras e esclarecem o mistério nelas contido. Porém, a verdade profunda tanto a respeito de Deus como a respeito da salvação dos homens, manifesta-se-nos, por esta revelação, em Cristo, que é, simultâneamente, o mediador e a plenitude de toda a revelação (2).


Preparação da revelação evangélica 


3. Deus, criando e conservando todas as coisas pelo Verbo (cfr. Jo. 1,3), oferece aos homens um testemunho perene de Si mesmo na criação (cfr. Rom. 1, 1-20) e, além disso, decidindo abrir o caminho da salvação sobrenatural, manifestou-se a Si mesmo, desde o princípio, aos nossos primeiros pais. Depois da sua queda, com a promessa de redenção, deu-lhes a esperança da salvação (cfr. Gén. 3,15), e cuidou contìnuamente do género humano, para dar a vida eterna a todos aqueles que, perseverando na prática das boas obras, procuram a salvação (cfr. Rom. 2, 6-7). No devido tempo chamou Abraão, para fazer dele pai dum grande povo (cfr. Gén. 12,2), povo que, depois dos patriarcas, ele instruiu, por meio de Moisés e dos profetas, para que o reconhecessem como único Deus vivo e verdadeiro, pai providente e juiz justo, e para que esperassem o Salvador prometido; assim preparou Deus através dos tempos o caminho ao Evangelho. 


Consumação e plenitude da revelação em Cristo


4. Depois de ter falado muitas vezes e de muitos modos pelos profetas, falou-nos Deus nestes nossos dias, que são os últimos, através de Seu Filho (Heb. 1, 1-2). Com efeito, enviou o Seu Filho, isto é, o Verbo eterno, que ilumina todos os homens, para habitar entre os homens e manifestar-lhes a vida íntima de Deus (cfr. Jo. 1, 1-18). Jesus Cristo, Verbo feito carne, enviado «como homem para os homens» (3), «fala, portanto, as palavras de Deus» (Jo. 3,34) e consuma a obra de salvação que o Pai lhe mandou realizar (cfr. Jo. 5,36; 17,4). Por isso, Ele, vê-lo a Ele é ver o Pai (cfr. Jo. 14,9), com toda a sua presença e manifestação da sua pessoa, com palavras e obras, sinais e milagres, e sobretudo com a sua morte e gloriosa ressurreição, enfim, com o envio do Espírito de verdade, completa totalmente e confirma com o testemunho divino a revelação, a saber, que Deus está connosco para nos libertar das trevas do pecado e da morte e para nos ressuscitar para a vida eterna. 


Portanto, a economia cristã, como nova e definitiva aliança, jamais passará, e não se há-de esperar nenhuma outra revelação pública antes da gloriosa manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo (cfr. 1 Tim. 6,14; Tit. 2,13).


Aceitação da revelação pela fé


5. A Deus que revela é devida a «obediência da fé» (Rom. 16,26; cfr. Rom. 1,5; 2 Cor. 10, 5-6); pela fé, o homem entrega-se total e livremente a Deus oferecendo «a Deus revelador o obséquio pleno da inteligência e da vontade» (4) e prestando voluntário assentimento à Sua revelação. Para prestar esta adesão da fé, são necessários a prévia e concomitante ajuda da graça divina e os interiores auxílios do Espírito Santo, o qual move e converte a Deus o coração, abre os olhos do entendimento, e dá «a todos a suavidade em aceitar e crer a verdade» (5). Para que a compreensão da revelação seja sempre mais profunda, o mesmo Espírito Santo aperfeiçoa sem cessar a fé mediante os seus dons


Necessidade da revelação


6. Pela revelação divina quis Deus manifestar e comunicar-se a Si mesmo e os decretos eternos da Sua vontade a respeito da salvação dos homens, «para os fazer participar dos bens divinos, que superam absolutamente a capacidade da inteligência humana»(6). 


O sagrado Concílio professa que Deus, princípio e fim de todas as coisas, se pode conhecer com certeza pela luz natural da razão a partir das criaturas» (cfr. Rom. 1,20); mas ensina também que deve atribuir-se à Sua revelação «poderem todos os homens conhecer com facilidade, firme certeza e sem mistura de erro aquilo que nas coisas divinas não é inacessível à razão humana, mesmo na presente condição do género humano» (7).


  


CAPÍTULO II


A TRANSMISSÃO DA REVELAÇÃO DIVINA



Os apóstolos e seus sucessores, transmissores do Evangelho


7. Deus dispôs amorosamente que permanecesse integro e fosse transmitido a todas as gerações tudo quanto tinha revelado para salvação de todos os povos. Por isso, Cristo Senhor, em quem toda a revelação do Deus altíssimo se consuma (cfr. 2 Cor. 1,20; 3,16-4,6), mandou aos Apóstolos que pregassem a todos, como fonte de toda a verdade salutar e de toda a disciplina de costumes, o Evangelho prometido antes pelos profetas e por Ele cumprido e promulgado pessoalmente (1), comunicando-lhes assim os dons divinos. Isto foi realizado com fidelidade, tanto pelos Apóstolos que, na sua pregação oral, exemplos e instituições, transmitiram aquilo que tinham recebido dos lábios, trato e obras de Cristo, e o que tinham aprendido por inspiração do Espírito Santo, como por aqueles Apóstolos e varões apostólicos que, sob a inspiração do mesmo Espírito Santo, escreveram a mensagem da salvação (2). 


Porém, para que o Evangelho fosse perenemente conservado integro e vivo na Igreja, os Apóstolos deixaram os Bispos como seus sucessores, «entregando lhes o seu próprio ofício de magistério» (3). Portanto, esta sagrada Tradição e a Sagrada Escritura dos dois Testamentos são como um espelho no qual a Igreja peregrina na terra contempla a Deus, de quem tudo recebe, até ser conduzida a vê-lo face a face tal qual Ele é (cfr. 1 Jo. 3,2).


A sagrada Tradição


8. E assim, a pregação apostólica, que se exprime de modo especial nos livros inspirados, devia conservar-se, por uma sucessão contínua, até à consumação dos tempos. Por isso, os Apóstolos, transmitindo o que eles mesmos receberam, advertem os fiéis a que observem as tradições que tinham aprendido quer por palavras quer por escrito (cfr. 2 Tess. 2,15), e a que lutem pela fé recebida dama vez para sempre (cfr. Jud. 3)(4). Ora, o que foi transmitido pelos Apóstolos, abrange tudo quanto contribui para a vida santa do Povo de Deus e para o aumento da sua fé; e assim a Igreja, na sua doutrina, vida e culto, perpetua e transmite a todas as gerações tudo aquilo que ela é e tudo quanto acredita. 


Esta tradição apostólica progride na Igreja sob a assistência do Espírito Santo (5). Com efeito, progride a percepção tanto das coisas como das palavras transmitidas, quer mercê da contemplação e estudo dos crentes, que as meditam no seu coração (cfr. Lc. 2, 19. 51), quer mercê da íntima inteligência que experimentam das coisas espirituais, quer mercê da pregação daqueles que, com a sucessão do episcopado, receberam o carisma da verdade. Isto é, a Igreja, no decurso dos séculos, tende contìnuamente para a plenitude da verdade divina, até que nela se realizem as palavras de Deus. 


Afirmações dos santos Padres testemunham a presença vivificadora desta Tradição, cujas riquezas entram na prática e na vida da Igreja crente e orante. Mediante a mesma Tradição, conhece a Igreja o cânon inteiro dos livros sagrados, e a própria Sagrada Escritura entende-se nela mais profundamente e torna-se incessantemente operante; e assim, Deus, que outrora falou, dialoga sem interrupção com a esposa do seu amado Filho; e o Espírito Santo - por quem ressoa a voz do Evangelho na Igreja e, pela Igreja, no mundo - introduz os crentes na verdade plena e faz com que a palavra de Cristo neles habite em toda a sua riqueza (cfr. Col. 3,16).


Relação entre a sagrada Tradição e a Sagrada Escritura


9. A sagrada Tradição, portanto, e a Sagrada Escritura estão ìntimamente unidas e compenetradas entre si. Com efeito, derivando ambas da mesma fonte divina, fazem como que uma coisa só e tendem ao mesmo fim. A Sagrada Escritura é a palavra de Deus enquanto foi escrita por inspiração do Espírito Santo; a sagrada Tradição, por sua vez, transmite integralmente aos sucessores dos Apóstolos a palavra de Deus confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito Santo aos Apóstolos, para que eles, com a luz do Espírito de verdade, a conservem, a exponham e a difundam fielmente na sua pregação; donde resulta assim que a Igreja não tira só da Sagrada Escritura a sua certeza a respeito de todas as coisas reveladas. Por isso, ambas devem ser recebidas e veneradas com igual espírito de piedade e reverência (6).


Relação de uma e outra com a Igreja e com o Magistério eclesiástico


10. A sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um só depósito sagrado da palavra de Deus, confiado à Igreja; aderindo a este, todo o Povo santo persevera unido aos seus pastores na doutrina dos Apóstolos e na comunhão, na fracção do pão e na oração (cfr. Act. 2,42 gr.), de tal modo que, na conservação, actuação e profissão da fé transmitida, haja uma especial concordância dos pastores e dos fiéis (7). 


Porém, o encargo de interpretar autênticamente a palavra de Deus escrita ou contida na Tradição (8), foi confiado só ao magistério vivo da Igreja (9), cuja autoridade é exercida em nome de Jesus Cristo. Este magistério não está acima da palavra de Deus, mas sim ao seu serviço, ensinando apenas o que foi transmitido, enquanto, por mandato divino e com a assistência do Espírito Santo, a ouve piamente, a guarda religiosamente e a expõe fielmente, haurindo deste depósito único da fé tudo quanto propõe à fé como divinamente revelado. 


É claro, portanto, que a sagrada Tradição, a sagrada Escritura e o magistério da Igreja, segundo o sapientíssimo desígnio de Deus, de tal maneira se unem e se associam que um sem os outros não se mantém, e todos juntos, cada um a seu modo, sob a acção do mesmo Espírito Santo, contribuem eficazmente para a salvação das almas.


  


CAPÍTULO III


A INSPIRAÇÃO DIVINA DA SAGRADA ESCRITURA 

E A SUA INTERPRETAÇÃO



Natureza da inspiração e verdade da Sagrada Escritura


11. As coisas reveladas por Deus, contidas e manifestadas na Sagrada Escritura, foram escritas por inspiração do Espírito Santo. Com efeito, a santa mãe Igreja, segundo a fé apostólica, considera como santos e canónicos os livros inteiros do Antigo e do Novo Testamento com todas as suas partes, porque, escritos por inspiração do Espírito Santo (cfr. Jo. 20,31; 2 Tim. 3,16; 2 Ped. 1, 19-21; 3, 15-16), têm Deus por autor, e como tais foram confiados à própria Igreja (1). Todavia, para escrever os livros sagrados, Deus escolheu e serviu-se de homens na posse das suas faculdades e capacidades (2), para que, agindo Ele neles e por eles (3), pusessem por escrito, como verdadeiros autores, tudo aquilo e só aquilo que Ele queria (4). 


E assim, como tudo quanto afirmam os autores inspirados ou hagiógrafos deve ser tido como afirmado pelo Espírito Santo, por isso mesmo se deve acreditar que os livros da Escritura ensinam com certeza, fielmente e sem erro a verdade que Deus, para nossa salvação, quis que fosse consignada nas sagradas Letras (5). Por isso, «toda a Escritura é divinamente inspirada e útil para ensinar, para corrigir, para instruir na justiça: para que o homem de Deus seja perfeito, experimentado em todas as obras boas» ( Tim. 3, 7-17 gr.).


Interpretação da Sagrada Escritura


12. Como, porém, Deus na Sagrada Escritura falou por meio dos homens e à maneira humana (6), o intérprete da Sagrada Escritura, para saber o que Ele quis comunicar-nos, deve investigar com atenção o que os hagiógrafos realmente quiseram significar e que aprouve a Deus manifestar por meio das suas palavras. 


Para descobrir a intenção dos hagiógrafos, devem ser tidos também em conta, entre outras coisas, os «géneros literários». Com efeito, a verdade é proposta e expressa de modos diversos, segundo se trata de géneros histéricos, proféticos, poéticos ou outros. Importa, além disso, que o intérprete busque o sentido que o hagiógrafo em determinadas circunstâncias, segundo as condições do seu tempo e da sua cultura, pretendeu exprimir e de facto exprimiu servindo se os géneros literários então usados (7). Com efeito, para entender rectamente o que autor sagrado quis afirmar, deve atender-se convenientemente, quer aos modos nativos de sentir, dizer ou narrar em uso nos tempos do hagiógrafo, quer àqueles que costumavam empregar-se frequentemente nas relações entre os homens de então (8). 


Mas, como a Sagrada Escritura deve ser lida e interpretada com o mesmo espírito com que foi escrita (9), não menos atenção se deve dar, na investigação do recto sentido dos textos sagrados, ao contexto e à unidade de toda a Escritura, tendo em conta a Tradição viva de toda a Igreja e a analogia da fé. Cabe aos exegetas trabalhar, de harmonia com estas regras, por entender e expor mais profundamente o sentido da Escritura, para que, mercê deste estudo de algum modo preparatório, amadureça o juízo da Igreja. Com efeito, tudo quanto diz respeito à interpretação da Escritura, está sujeito ao juízo último da Igreja, que tem o divino mandato e o ministério de guardar e interpretar a palavra de Deus (10).


Condescendência de Deus


13. Portanto, na Sagrada Escritura, salvas sempre a verdade e a santidade de Deus, manifesta-se a admirável «condescendência» da eterna sabedoria, «para conhecermos a inefável benignidade de Deus e com quanta acomodação Ele falou, tomando providência e cuidado da nossa natureza» (11). As palavras de Deus com efeito, expressas por línguas humanas, tornaram-se ìntimamente semelhantes à linguagem humana, como outrora o Verbo do eterno Pai se assemelhou aos homens tomando a carne da fraqueza humana.  


CAPÍTULO IV


O ANTIGO TESTAMENTO


A história da salvação consignada nos livros do Antigo Testamento


14. Deus amantíssimo, desejando e preparando com solicitude a salvação de todo o género humano, escolheu por especial providência um povo a quem confiar as suas promessas. Tendo estabelecido aliança com Abraão (cfr. Gén. 15,18), e com o povo de Israel por meio de Moisés (cfr. Ex. 24,8), revelou-se ao Povo escolhido como único Deus verdadeiro e vivo, em palavras e obras, de tal modo que Israel pudesse conhecer por experiência os planos de Deus sobre os homens, os compreendesse cada vez mais profunda e claramente, ouvindo o mesmo Deus falar por boca dos profetas, e os difundisse mais amplamente entre os homens (cfr. Salm. 21, 28-29; 95, 1-3; Is. 2, 1-4; Jer. 3,17). A «economia» da salvação de antemão anunciada, narrada e explicada pelos autores sagrados, encontra-se nos livros do Antigo Testamento como verdadeira palavra de Deus. Por isso, estes livros divinamente inspirados conservam um valor perene: «Tudo quanto está escrito, para nossa instrução está escrito, para que, por meio da paciência e consolação que nos vem da Escritura, tenhamos esperança» (Rom. 15,4).


Importância do Antigo Testamento para os cristãos


15. A «economia» do Antigo Testamento destinava-se sobretudo a preparar, a anunciar profèticamente (cfr. Lc. 24,44; Jo. 5,39; 1 Ped. 1,10) e a simbolizar com várias figuras (cfr. 1 Cor. 10,11) o advento de Cristo, redentor universal, e o do reino messiânico. Mas os livros do Antigo Testamento, segundo a condição do género humano antes do tempo da salvação estabelecida por Cristo, manifestam a todos o conhecimento de Deus e do homem, e o modo com que Deus justo e misericordioso trata os homens. Tais livros, apesar de conterem também coisas imperfeitas e transitórias, revelam, contudo, a verdadeira pedagogia divina (1). Por isso, os fieis devem receber com devoção estes livros que exprimem o vivo sentido de Deus, nos quais se encontram sublimes doutrinas a respeito de Deus, uma sabedoria salutar a respeito da vida humana, bem como admiráveis tesouros de preces, nos quais, finalmente, está latente o mistério da nossa salvação.


Unidade de ambos ao Testamentos


16. Foi por isso que Deus, inspirador e autor dos livros dos dois Testamentos, dispôs tão sàbiamente as coisas, que o Novo Testamento está latente no Antigo, e o Antigo está patente no Novo (2). Pois, apesar de Cristo ter alicerçado à nova Aliança no seu sangue (cfr. Lc. 22,20; 1 Cor. 11,25), os livros do Antigo Testamento, ao serem integralmente assumidos na pregação evangélica (3) adquirem e manifestam a sua plena significação no Novo Testamento (cfr. Mt. 5,17; Lc. 24,27; Rom. 16, 25-26; 2 Cor. 3, 1416), que por sua vez iluminam e explicam.


  


CAPÍTULO V


O NOVO TESTAMENTO


Excelência do Novo Testamento


17. A palavra de Deus, que é virtude de Deus para a salvação de todos os crentes (cfr. Rom. 1,16), apresenta-se e manifesta o seu poder dum modo eminente nos escritos do Novo Testamento. Com efeito, quando chegou a plenitude dos tempos (cfr. Gál. 4,4), o Verbo fez-se carne e habitou entre nós cheio de graça e verdade (cfr. Jo. 1,14). Cristo estabeleceu o reino de Deus na terra, manifestou com obras e palavras o Pai e a Si mesmo, e levou a cabo a Sua obra com a Sua morte, ressurreição, e gloriosa ascensão, e com o envio do Espírito Santo. Sendo levantado da terra, atrai todos a si (cfr. Jo. 12,32 gr.), Ele que é o único que tem palavras de vida eterna (cfr. Jo. 6,68). Este mistério, porém, não foi descoberto a outras gerações como foi agora revelado aos seus santos Apóstolos e aos profetas no Espírito Santo (cfr. Ef. 3, 46 gr.) para que pregassem o Evangelho, e despertassem a fé em Jesus Cristo e Senhor, e congregassem a Igreja. Os escritos do Novo Testamento são um testemunho perene e divino de todas estas coisas.


Origem apostólica dos Evangelhos


18. Ninguém ignora que entre todas as Escrituras, mesmo do Novo Testamento, os Evangelhos têm o primeiro lugar, enquanto são o principal testemunho da vida e doutrina do Verbo encarnado, nosso salvador. 


A Igreja defendeu e defende sempre e em toda a parte a origem apostólica dos quatro Evangelhos. Com efeito, aquelas coisas que os Apóstolos, por ordem de Cristo, pregaram, foram depois, por inspiração do Espírito Santo, transmitidas por escrito por eles mesmos e por varões apostólicos como fundamento da fé, ou seja, o Evangelho quadriforme, segundo Mateus, Marcos, Lucas e João (1).


Carácter histórico dos Evangelhos


19. A santa mãe Igreja defendeu e defende firme e constantemente que estes quatro Evangelhos, cuja historicidade afirma sem hesitação, transmitem fielmente as coisas que Jesus, Filho de Deus. durante a sua vida terrena, realmente operou e ensinou para salvação eterna dos homens, até ao dia em que subiu ao céu (cfr. Act. 1. 1-2). Na verdade, após a ascensão do Senhor, os Apóstolos transmitiram aos seus ouvintes, com aquela compreensão mais plena de que eles, instruídos pelos acontecimentos gloriosos de Cristo e iluminados pelo Espírito de verdade (2) gozavam (3), as coisas que Ele tinha dito e feito. Os autores sagrados, porém, escreveram os quatro Evangelhos, escolhendo algumas coisas entre as muitas transmitidas por palavra ou por escrito, sintetizando umas, desenvolvendo outras, segundo o estado das igrejas, conservando, finalmente, o carácter de pregação, mas sempre de maneira a comunicar-nos coisas autênticas e verdadeiras acerca de Jesus (4). Com efeito, quer relatassem aquilo de que se lembravam e recordavam, quer se baseassem no testemunho daqueles «que desde o princípio foram testemunhas oculares e ministros da palavra», fizeram-no sempre com intenção de que conheçamos a «verdade» das coisas a respeito das quais fomos instruídos (cfr. Lc. 1, 2-4).


Os restantes escritos do Novo Testamento


20. O cânon do Novo Testamento contém igualmente além dos quatro Evangelhos, as Epístolas de S. Paulo e outros escritos apostólicos redigidos por inspiração do Espírito Santo, com os quais, segundo o plano da sabedoria divina, é confirmado o que diz respeito a Cristo Senhor, é explicada mais e mais a sua genuína doutrina, é pregada a virtude salvadora da obra divina de Cristo, são narrados os começos da Igreja e a sua admirável difusão, e é anunciada a sua consumação gloriosa. 


Com efeito, o Senhor Jesus assistiu os seus Apóstolos como tinha prometido (cfr. Mt. 28,20) e enviou-lhes o Espírito consolador que os devia introduzir na plenitude da verdade (cfr. Jo. 16,13).


  


CAPÍTULO VI


A SAGRADA ESCRITURA NA VIDA DA IGREJA


A Igreja venera as Sagradas Escrituras


21. A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor, não deixando jamais, sobretudo na sagrada Liturgia, de tomar e distribuir aos fiéis o pão da vida, quer da mesa da palavra de Deus quer da do Corpo de Cristo. Sempre as considerou, e continua a considerar, juntamente com a sagrada Tradição, como regra suprema da sua fé; elas, com efeito, inspiradas como são por Deus, e exaradas por escrito duma vez para sempre, continuam a dar-nos imutàvelmente a palavra do próprio Deus, e fazem ouvir a voz do Espírito Santo através das palavras dos profetas e dos Apóstolos. É preciso, pois, que toda a pregação eclesiástica, assim como a própria religião cristã, seja alimentada e regida pela Sagrada Escritura. Com efeito, nos livros sagrados, o Pai que está nos céus vem amorosamente ao encontro de Seus filhos, a conversar com eles; e é tão grande a força e a virtude da palavra de Deus que se torna o apoio vigoroso da Igreja, solidez da fé para os filhos da Igreja, alimento da alma, fonte pura e perene de vida espiritual. Por isso se devem aplicar por excelência à Sagrada Escritura as palavras: «A palavra de Deus é viva e eficaz» (Hebr. 4,12), «capaz de edificar e dar a herança a todos os santificados», (Act. 20,32; cfr. 1 Tess. 2,13).


Traduções da Sagrada Escritura


22. É preciso que os fiéis tenham acesso patente à Sagrada Escritura. Por esta razão, a Igreja logo desde os seus começos fez sua aquela tradução grega antiquíssima do Antigo Testamento chamada dos Setenta; e sempre tem em grande apreço as outras traduções, quer orientais quer latinas, sobretudo a chamada Vulgata. Mas, visto que a palavra de Deus deve estar sempre acessível a todos, a Igreja procura com solicitude maternal que se façam traduções aptas e fiéis nas várias línguas, sobretudo a partir dos textos originais dos livros sagrados. Se porém, segundo a oportunidade e com a aprovação da autoridade da Igreja, essas traduções se fizerem em colaboração com os irmãos separados, poderão ser usadas por todos os cristãos.


Investigação Bíblica


23. A esposa do Verbo encarnado, isto é, a Igreja, ensinada pelo Espírito Santo, esforça-se por conseguir uma inteligência cada vez mais profunda da Sagrada Escritura, para poder alimentar contìnuamente os seus filhos com os divinos ensinamentos; por isso, vai fomentando também convenientemente o estudo dos santos Padres do Oriente e do Ocidente, bem como das sagradas liturgias. É preciso, porém, que os exegetas católicos e os demais estudiosos da sagrada teologia, trabalhem em íntima colaboração de esforços, para que, sob a vigilância do sagrado magistério, lançando mão de meios aptos, estudem e expliquem as divinas Letras de modo que o maior número possível de ministros da palavra de Deus possa oferecer com fruto ao Povo de Deus o alimento das Escrituras, que ilumine o espírito, robusteça as vontades, e inflame os corações dos homens no amor de Deus (1). O sagrado Concilio encoraja os filhos da Igreja que cultivam as ciências bíblicas para que continuem a realizar com todo o empenho, segundo o sentir da Igreja, a empresa felizmente começada, renovando constantemente as suas forças (2).


Importância da Sagrada Escritura para a Teologia


24. A sagrada Teologia apoia-se, como em seu fundamento perene, na palavra de Deus escrita e na sagrada Tradição, e nela se consolida firmemente e sem cessar se rejuvenesce, investigando, à luz da fé, toda a verdade contida no mistério de Cristo. As Sagradas Escrituras contêm a palavra de Deus, e, pelo facto de serem inspiradas, são verdadeiramente a palavra de Deus; e por isso, o estudo destes sagrados livros deve ser como que a alma da sagrada teologia (3). Também o ministério da palavra, isto é, a pregação pastoral, a catequese, e toda a espécie de instrução cristã, na qual a homilia litúrgica deve ter um lugar principal, com proveito se alimenta e santamente se revigora com a palavra da Escritura.


Leitura da Sagrada Escritura


25. É necessário, por isso, que todos os clérigos e sobretudo os sacerdotes de Cristo e outros que, como os diáconos e os catequistas, se consagram legìtimamente ao ministério da palavra, mantenham um contacto íntimo com as Escrituras, mediante a leitura assídua e o estudo aturado, a fim de que nenhum deles se torne «pregador vão e superficial da palavra de Deus. por não a ouvir de dentro» (4), tendo, como têm, a obrigação de comunicar aos fiéis que lhes estão confiados as grandíssimas riquezas da palavra divina, sobretudo na sagrada Liturgia. Do mesmo modo, o sagrado Concílio exorta com ardor e insistência todos os fiéis, mormente os religiosos, a que aprendam «a sublime ciência de Jesus Cristo» (Fil. 3,8) com a leitura frequente das divinas Escrituras, porque «a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo» (5). Debrucem-se, pois, gostosamente sobre o texto sagrado, quer através da sagrada Liturgia, rica de palavras divinas, quer pela leitura espiritual, quer por outros meios que se vão espalhando tão louvàvelmente por toda a parte, com a aprovação e estímulo dos pastores da Igreja. Lembrem-se, porém, que a leitura da Sagrada Escritura deve ser acompanhada de oração para que seja possível o diálogo entre Deus e o homem; porque «a Ele falamos, quando rezamos, a Ele ouvimos, quando lemos os divinos oráculos» (6). 


Compete aos sagrados pastores «depositários da doutrina apostólica» (7), ensinar oportunamente os fiéis que lhes foram confiados no uso recto dos livros divinos, de modo particular do Novo Testamento, e sobretudo dos Evangelhos. E isto por meio de traduções dos textos sagrados, que devem ser acompanhadas das explicações necessárias e verdadeiramente suficientes, para que os filhos da Igreja se familiarizem dum modo seguro e. útil com a Sagrada Escritura, e se penetrem do seu espírito. 


Além disso, façam-se edições da Sagrada Escritura, munidas das convenientes anotações, para uso também dos não cristãos, e adaptadas às suas condições; e tanto os pastores de almas como os cristãos de qualquer estado procuram difundi-las com zelo e prudência.


Influência e importância da renovação escriturística


 26. Deste modo, pois, com a leitura e estudo dos livros sagrados, «a palavra de Deus se difunda e resplandeça (2 Tess. 3,1), e o tesouro da revelação confiado à Igreja encha cada vez mais os corações dos homens. Assim como a vida da Igreja cresce com a assídua frequência do mistério eucarístico, assim também é lícito esperar um novo impulso de vida espiritual, se fizermos crescer a veneração pela palavra de Deus, que «permanece para sempre» (Is. 40,8; cfr. l Pedr. 1, 23-25).


 


Roma, 18 de Novembro de 1965