apagar

Mulher causa polêmica ao marcar bezerro no rosto e divulgar vídeo



O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Tocantins vai investigar uma profissional que fez um vídeo marcando no rosto de um bezerro com ferro quente o número 22. Após a imagem viralizar, a veterinária confirmou que é apoiadora do presidente, mas disse que número é por marcação de rebanho. 

No vídeo chocante, o animal é segurado por um homem enquanto ela pisa no focinho do animal e faz a marcação. A imagem foi compartilhada com áudio de uma música que diz 'vota, vota e confirma. 22 é Bolsonaro'.

No caso de fêmeas vacinadas contra a brucelose, o que especialistas apontam ser o caso filmado, o padrão é usar a sigla 'V' ou o último algarismo do número do ano da vacinação, no caso 2, seguindo a orientação do Ministério da Agricultura.

"As fêmeas vacinadas de 3 a 8 meses devem, obrigatoriamente, ser marcadas com ferro candente ou nitrogênio líquido, no lado esquerdo da face. Fêmeas vacinadas com a vacina B19 deverão ser marcadas com o algarismo final do ano de vacinação. Fêmeas vacinadas com a amostra RB51 deverão ser marcadas com um V", diz trecho do regulamento do Ministério.

Após a repercussão nas redes sociais o vídeo foi excluído pela veterinária que também resolveu trancar a página no Instagram. Fernanda Paula Kajozi ainda gravou um vídeo se explicando, este arquivo também foi excluído, mas ainda aparece em outras páginas. Na imagem, ela confirma que fez a marcação, mas que estava fazendo por controle de rebanho -- apesar de não estar no padrão do Ministério da Agricultura -- e confirmou ser apoiadora de Bolsonaro.

"Eu não marquei 22 na cara do bezerro por conta do Bolsonaro, não. É porque você marca na cara do bezerro o ano, na paleta você marca o mês e atrás, na anca do bezerro, você marca a marca da propriedade, no caso a do meu pai é F1. Eu apenas filmei fazendo um procedimento que desde o mês um está fazendo e até o mês 12 vai estar fazendo. Ano que vem vai ser 23 e assim sucessivamente. Então não tem nada a ver com Bolsonaro. Mas eu sou Bolsonaro", disse.

A marcação no rosto de bovinos é permitida por lei desde os anos 60. O Ministério da Agricultura prevê, no entanto, padrões para essa marcação. Existem dois tipos: a marcação por comprovação de imunização e por controle de rebanho. Além dessa, há outros padrões, mas em outras partes do corpo do animal.

O animal que aparece no vídeo foi marcado na face esquerda e com os dois últimos dígitos do ano.

Segundo a explicação da veterinária, ela fazia uma marcação que corresponderia ao controle de rebanho. No entanto, o número 22 não segue o que é estabelecido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

O g1 consultou ainda o médico veterinário Eudes Vieira Castro, mestre em reprodução e sanidade animal, que explicou que a marcação não está conforme o regulamento da Agência de Defesa Agropecuária (Adapec).

"A marcação do gado por outro motivo, para controle do rebanho, pode marcar na paleta, na face, onde ficar melhor a visualização no curral na hora do manejo. Agora, com número do ano [no caso 2], só no caso das fêmeas vacinadas. Nesse caso é no lado esquerdo da face. Esse lado das fêmeas bovinas é destinado para controle da vacinação de brucelose. É controle de serviço oficial", disse o veterinário.

O zootecnista e professor de etologia e bem-estar animal na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da UNESP, Mateus Paranhos da Costa, também analisou o vídeo. Segundo ele, além de estar fora do padrão, a imobilização do animal não foi feita da forma correta.

"Essa marcação é totalmente anormal. Além do que a prática com o que ela foi feita pode caracterizar maus-tratos aos animais porque a moça que aplicou a marca está pisando na cabeça do bezerro. A contenção mal feita e a aplicação de uma marca que não é normal ou frequente. Muito provavelmente foi com interesse político. A prática foi totalmente equivocada", disse o especialista.