Uma professora assistente da Universidade de St. Xavier, localizada em Calcutá, na Índia, contou em uma entrevista à BBC que foi obrigada a se demitir depois de postar fotos de biquíni no Instagram. A universidade negou que esse tenha sido o motivo da demissão.
A professora pediu para não ser identificada e prestou queixa na polícia, acusando funcionários de assédio sexual, intimidação e vigilância moral. Em resposta, a universidade entrou com processo pedindo cerca de R$ 12 milhões de reais em indenização por difamação.
Segundo contou, depois de dois meses de trabalho na instituição, lecionando inglês na graduação e na pós-graduação, ela foi conduzida a uma "sala de interrogatório", onde foi informada por um comitê formado pelo vice-reitor Felix Raj, um secretário e outras cinco mulheres, de que o pai de um aluno havia feito uma queixa contra ela. Em seguida, pediram para ela confirmar se era ela em algumas fotos.
"O reitor disse que esse pai encontrou seu filho olhando minhas fotos no Instagram, onde eu estava apenas de calcinha. Ele disse que as fotos eram sexualmente explícitas e pediu à universidade que preservasse seu filho de tal vulgaridade."
As fotos eram stories da mulher de biquíni, que ela tirou em seu quarto e postou na rede social,, que é privada, cerca de dois meses antes de ser contratada pela universidade.
"Fiquei chocada. Quando vi as fotos, tive um ataque de pânico. Me pareceu surreal que minhas fotos pessoais fossem compartilhadas sem meu consentimento. Eles me perguntaram por que eu fiz isso. Se, como mulher, eu não achava que aquilo era questionável. Se, como professora, eu não achava que era meu dever para com a sociedade me comportar adequadamente. Eles me disseram que eu estava trazendo desprestígio e vergonha para a universidade. Eles me perguntaram se meus pais estavam no Instagram e se eles tinham visto aquelas fotos. Eu senti náuseas e fiquei em choque", contou ela.
No dia seguinte à reunião, a professora apresentou um pedido formal de desculpas, mas o reitor disse que o comitê iria recomendar a demissão dela e que seria melhor que ela mesmo se demitisse, ou poderia ir para a cadeia, já que o pai do aluno afirmou que apresentaria queixa na polícia.
"Mas também fiquei com muita raiva e procurei orientação jurídica. Eles fizeram download das minhas fotos, tiraram prints de tela e compartilharam sem meu consentimento. Meu advogado sugeriu que eu registrasse uma queixa de assédio sexual na polícia de crimes cibernéticos", disse ela.
O vice-reitor da universidade, padre FElix Raj, negou as acusações, ainda que tenha se recusado a dizer se o comitê recomendou a demissão da professora. "Ela entregou uma carta de desculpas em 8 de outubro de 2021. Nós a aceitamos. Achei um gesto bom. Mas então ela pediu demissão em 25 de outubro".
Uma petição no site change.org, iniciada pelo ex-aluno universitário Gaurav Banerjee e dirigida ao Ministro da Educação do Estado de Bengala Ocidental, recebeu mais de 25 mil assinaturas.
Banerjee disse à BBC que quer que a universidade peça desculpas à professora e peça ao governo que tome medidas disciplinares contra o comitê por seu comportamento prepotente.
"Estou feliz que, como eu, muitas pessoas estão horrorizadas que a universidade possa fazer algo assim", disse ele.
