Com 37 anos de idade, mulheres descobrem que foram trocadas na maternidade

 

Maria Regina (ao Centro) com a filha biológica Thaísa (à esquerda) e a filha de criação Mônica (à direita) - reprodução UOL

Duas mulheres, hoje com 37 anos de idade, descobriram que foram trocadas na maternidade em Sertãozinho, no interior de São Paulo. 

A descoberta aconteceu depois do falecimento do homem que registrou Mônica Tatiane Ribeiro, que era companheiro da mãe dela, mas não pai biológico. Por conta do inventário, ela precisou realizar um exame de DNA, que revelou que ela não tinha genoma compatível com a mãe.

"Quando o laboratório me deu o resultado de incompatibilidade, eu não conseguia acreditar. Nunca tivemos nenhuma desconfiança de que eu não fosse filha da minha mãe. Fizemos dois exames, em locais diferentes, para ter a certeza", contou Mônica, que é confeiteira, ao UOL.

Após confirmar que não era descendente da mãe, ela procurou a Santa Casa onde nasceu e, de acordo com o registro hospitalar, descobriu que outras oito meninas nasceram no mesmo dia que ela, 1º de dezembro de 1985.

"O hospital foi por exclusão. Viu qual era a outra bebê que havia nascido no horário mais próximo e descobriu que a mãe chamava Maria Regina, nome parecido com o da minha mãe [de criação], que é Maria de Lurdes, e elas tinha a mesma idade", explicou Mônica.

O hospital então alertou a outra mulher, a corretora de imóveis Maria Regina Dias do Nascimento Fernandez, mãe de Thaísa Nascimento Fernandez, solicitando que ela comparecesse ao hospital para tratar de um assunto urgente.

Sem dar muita atenção, Maria Regina demorou cerca de uma semana para ir até o hospital e ficou chocada com a revelação, demorando a crer que poderia ser verdade.

Solicitados pelo hospital, os exames de DNA que foram realizados posteriormente provaram que a troca realmente aconteceu.

"Recordo que a minha bebê chegou no quarto se a pulseira de identificação e quando questionei a enfermeira, ela disse que havia caído. É um misto de sensações. Se abre um grande vazio, você fica triste e feliz porque é sua filha, mas, ao mesmo tempo não é. A vida vira de ponta-cabeça", comentou Maria Regina.

Após a descoberta, as duas famílias começaram a se conhecer melhor e desenvolver um vínculo de amizade.

A Santa Casa onde ocorreu a troca informou em nota oficial que, "por envolver famílias e, em caso do processo correr em segredo de Justiça, o hospital resolveu não se manifestar por hora".