Moradora de Jundiaí com Linfoma de Hodgkin pela 3ª vez faz campanha para conseguir pagar tratamento


Foto: Arquivo Pessoal

 Letícia Fernandes, de 34 anos, que foi diagnosticada com Linfoma de Hodgkin pela terceira vez, está fazendo uma campanha na web para conseguir pagar tratamento. Moradora de Jundiaí, ela contou ao g1 que teve o diagnóstico e foi tratada nos anos de 2014 e 2017, mas teve a terceira recaída durante a sua gravidez, em 2021.

“No meu atual tratamento, fiz dois protocolos de quimioterapia e graças a uma doação anônima, outros dois protocolos de imunoterapia, além de radioterapia, que até o momento permaneço fazendo”, diz.

Com 10 meses em tratamento pelo SUS, Letícia conta que seu corpo já recebeu muita toxidade, mas como o câncer ainda apresenta sinais de atividade, ela precisa de uma medicação de alto custo.

“Preciso de 12 doses de uma medicação que custa R$ 26.337,42 cada. Ela tem uma resposta mais positiva, além de ser menos agressiva que a quimioterapia.”

Letícia, que tem um bebê de um ano, diz que encontra no filho forças para superar o tratamento. “Meu filho é a minha motivação, é dele que vem minha força para lutar.”

Campanha

Letícia fez o pedido dessa medicação ao Departamento Regional de Campinas (DRS), de Campinas, mas conta que foi negado. “Agora só me resta aguardar ação judicial para conseguir, porém esse recurso é demorado e preciso dar continuidade no meu tratamento, por esse motivo criei a campanha”, relata.

“Minha advogada pediu na liminar [dentro da ação judicial] que as 12 doses sejam entregues. Uma vez que o município pode fornecer uma/duas doses e depois recorrer com as demais.”

Para conseguir pagar o tratamento, ela vem fazendo rifas e doações nas redes sociais. Porém, ainda não recebeu contribuição suficiente para nenhuma das 12 doses da prescrição médica.

Para não interromper por completo o tratamento, a hematologista da Letícia decidiu pela radioterapia até que ela receba a imunoterapia Nivolumabe.

“A radioterapia causa dor local, fraqueza no braço afetado, já que é irradiado meu lado esquerdo, parte do tórax, axila e braço, e sensibilidade na pele. Como tenho um bebê de um ano e dois meses, minha mãe tem sido meu apoio nos cuidados com o bebê”, conta.

Descoberta e tratamento

A desconfiança do câncer ocorreu em 10 de março de 2021, quando Letícia notou um volume abaixo da clavícula esquerda.

“Já procurei a hematologista para investigar, uma vez que Linfoma de Hodgkin aparece apenas no pescoço, axila e virilha. Fizemos ultrassom no local, e o profissional recomendou tomografia, pois sugeriu que poderia ser um nódulo.”

O bebê de Letícia nasceu no dia 5 de abril de 2021, quase um mês após a suspeita. Depois do nascimento do primeiro filho, foi iniciado todos os exames, tomografia, biopsia e PET-CT, exame de diagnóstico por imagem capaz de detectar tumores em todos os lugares do corpo, que confirmou outra recaída de Linfoma de Hodgkin, com metástase na axila e ombro esquerdo e direito.

Em agosto de 2021, Letícia deu início as sessões de quimioterapia. “Cada recidiva [recorrência] da doença, o protocolo da quimioterapia muda para uma mais forte, já que o protocolo anterior curou, mas causou recaída”, explica.

“Em dezembro comecei a imunoterapia, e ela não faz cair o cabelo. Em abril, fizemos mais um exame e identificamos que ainda havia câncer. Depois fui encaminhada para avaliação de transplante de medula, data onde foi solicitado o medicamento de alto custo. Devido ao grande número de pacientes em espera, e todo o processo de exames antes de iniciar a radioterapia, só fui dar início ao tratamento em dia 19 de maio e sigo em tratamento de radioterapia”, explica.

Mesmo com algumas inseguranças e medos, Letícia mantém a cabeça erguida e tem a esperança que vai vencer esse câncer como venceu das outras vezes.

“Nunca senti medo, sempre confiei que sairia vitoriosa. É pela minha fé que eu sei que vou vencer mais uma vez”, finaliza.

Alguns dias após as sessões de quimioterapia, os leucócitos ficaram muito baixos e ela precisou ficar internada por oito dias. Após dias difíceis, com tentativas de colocar um cateter e uma infecção no dente do siso, entre outras coisas, houve atraso para novas sessões. Somente em novembro que Letícia conseguiu realizar mais uma vez a quimioterapia.

(Fonte: g1/Imagem: Arquivo Pessoal/Redes Sociais)

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