25 anos sem Renato Russo?

Poe Thales Mileto

No dia 11 de outubro de 1996 uma legião de fãs, que poderiam ser confundidos com uma religião de fãs, pararam o Brasil para lamentar a perda de mais que um ídolo, mas do irmão mais velho, como Renato Manfredini Júnior, o Renato Russo, era conhecido pelos amigos. De lá pra cá 25 anos se passaram e o ídolo, cantor de rock (que cantando em italiano agradou as tiazonas), de voz inconfundível, ativista gay, revolucionário, dependente químico, soropositivo, poeta e voz de uma geração, continua e ecoar sua influência por gerações que nem ao menos foram aos shows da Legião Urbana (como eu), mostrando que o seu trabalho, que suas letras e suas ideias são atemporais e necessárias em 2021 em qualquer tempo. 


Mais do que em coletâneas, Renato entra nas casas alheias por meio do clipe feito pela operadora de telefonia Vivo em homenagem aos dias doas namorados com a música “Eduardo e Mônica”, primeira música com mais de 5 minutos a circular nas rádios FM de todo o país, porque afinal “quem um dia irá dizer que e que existe razão nas coisas feiras pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?”, Renato está nas aberturas de novela do horário nobre da Rede Globo (Bomerrang Blues, música da fase ‘trovador solitário’ do cantor, pós Aborto Elétrico, primeira banda do poeta, e pré Legião Urbana. A música foi lançada no álbum póstumo da Legião Urbana “Uma outra estação”), está na polêmica entre os legionários Marcelo Bonfá e Dado Villa Lobos com o seu filho,  Giuliano Manfreddini, para o uso da marca Legião Urbana nos shows, está nos cinemas, em um filme que narra mal e porcamente a adolescência e começo de vida adulta de Renato em “Somos tão jovens” de 2013, outra adaptação que deixou a desejar foi a de “Faroeste Caboclo” do mesmo ano, ou na adaptação que teve a sua estreia adiada em 2020, “Eduardo e Mônica”, que mesmo sem estrear no Brasil ganhou o prêmio de melhor filme internacional no Festival de Edmonton, no Canadá. 


A já famosa Legião Urbana e o já famoso Renato Russo viram a sua legião de fãs se transformarem em religião em 1989, com o lançamento do 4o álbum de estúdio da banda, “As quatro estações”, onde o som encontrou uma linguagem mais pop, e Renato, já assumidamente bissexual, conseguiu alinhar melhor a sua poesia, vendendo com o disco quase 2 milhões cópia, sendo o mais vendido, da banda de rock que mais vendeu discos no Brasil, mais de 20 milhões, perdendo apenas para a rainha do rock Rita Lee. 


Renato não era apenas o poeta de sua geração, ele se tornou o Messias, não por ser ele o homem responsável por colocar músicas nem um pouco radiofônicas nas ondas dos rádios, seja com os quase 10 minutos de Faroeste Caboclo, ou pela tristeza que não tem fim em Vento no Litoral, mas por levantar bandeiras que estão erguidas até hoje com a da diversidade sexual celebrada em seu primeiro álbum solo ‘The Stonewall celebration concert’, da apocalíptica e atual “Perfeição” com os versos  “Vamos celebrar a fome, não ter a quem ouvir, não se ter a quem amar. Vamos alimentar o que é maldade, 

Vamos machucar um coração. Vamos celebrar nossa bandeira, nosso passado de absurdos gloriosos. Tudo o que é gratuito e feio, tudo que é normal. Vamos cantar juntos o Hino Nacional (A lágrima é verdadeira). Vamos celebrar nossa saudade e comemorar a nossa solidão.”. 


Pode até parecer que a Legião Urbana e Renato Russo são apenas figuras da moda, mas a realidade é que o contato com a obra deste grande poeta e desta  competente banda é necessário e essencial para sobreviver e resistir “há tempos” tão sombrios, onde não podemos nos dar ao luxo de se questionar se é “só imaginação” se quisermos questionar “que país é esse?”. 




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