Psicologo dá dica de como lidar com o luto na pandemia



O luto já é, por si só, uma situação difícil e delicada de lidar para muitas pessoas. No entanto, os rituais de despedida – como o velório, por exemplo – ajudam a minimizar a dor dos que ficam. Mas como fazer quando não temos direito nem mesmo à possibilidade de dizer adeus?

Com a chegada do Novo Coronavírus, além de lidar com os perigos à saúde causados pelo vírus, a sociedade ainda teve que lidar com uma nova e triste situação: a de não poder enterrar seus entes queridos. Com caixões lacrados, contato físico proibido e a proibição de funerais, como lidar com a perda daqueles que foram vitimados pela COVID-19?

Para o psicólogo Edger Raphael Cerqueira de Paula, as pessoas que passaram ou estão passando por esta situação devem se permitir vivenciar o luto. “Essa perda irreparável de alguém tão significativo, necessita de tempo para compreender o acontecimento da morte. Acolha as memórias que virão e permita-se aceitar a condição da perda dessa pessoa amada. E mesmo entre os familiares, cada pessoa terá o seu tempo de luto, sendo assim, respeite o tempo do outro”, orienta.

Além de ter que lidar com a dor da perda, muitas pessoas também acabam se culpando ou criando um sentimento de raiva, o que segundo o psicólogo faz parte do processo de aceitação do luto. “A culpa, como a sensação de que algo poderia ter sido feito, e a raiva, como a sensação de injustiçado pela morte dessa pessoa querida, são frequentes e lidar com isso depende de cada pessoa, devido à individualidade do processo”, diz. Como forma de lidar melhor com esta situação, ele orienta que as pessoas procurem alguém de sua confiança para externar seus sentimentos.

Em substituição ao velório e ao enterro, as famílias e amigos que perderam pessoas vitimadas pela COVID-19 podem usar de outros artifícios para lidar com o luto de uma maneira mais leve, orienta o psicólogo. “Para lidar, como sugestão, é possível realizar uma vídeo-chamada (com a família) com a intenção de falarem o que sentem por essa pessoa amada que morreu e falarem das suas lembranças. Esse movimento pode trazer algum conforto às pessoas, ao perceberem que estão juntas e passando pelo mesmo problema: lidar com o luto”. Além disso, o profissional enumera outras possibilidades de homenagear a pessoa que se foi, como utilizando a escrita criativa, com prosa e poesia, por exemplo. “Utilizar uma foto da pessoa que faleceu e fazer a sua despedida, também pode ajudar a elaborar essa perda”.

Para os amigos e familiares, a orientação é oferecer ajuda e respeitar o luto. “O processo do luto é vivido de forma única para cada pessoa, sendo assim, o sofrimento sentido pela perda é diferente para cada um. Com isso em mente, busque ouvir a pessoa da forma mais acolhedora possível, respeitar o momento que está vivendo e deixar a pessoa ciente que pode contar com você para conversar sempre que puderem”. O psicólogo lembra que é importante respeitar o tempo de luto de cada um e não fazer cobranças. “No caso de perceber que a pessoa precisa de auxílio profissional, oriente que busque um psicólogo”, finaliza.

(Texto: TVTEC/Imagem: Divulgação/Pixabay)

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