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Mulher que matou marido PM desabafa "Nesses 13 anos, registrei 8 boletins de ocorrência contra ele"


A mulher do policial militar aposentado Ademir Marques Pestana, de 56 anos, que foi morto a tiros pela esposa no último dia 4 de maio, em São Vicente, no litoral de São Paulo, afirmou que agiu em legítima defesa. "No dia dos fatos, discutimos. Ele pegou a arma para me ameaçar e foi tudo muito rápido. Se eu te disser como consegui pegar a arma da mão dele, racionalmente, não consigo explicar. Ele já me ameaçou outras vezes, mas com martelo, faca e, dessa vez, com a arma. Eu só pensei em me defender. Foi o instinto de salvar a minha vida. Me doeu. Ele era o pai das minhas filhas, vivi muitos anos com ele. Foram dias muito difíceis para mim. Eu sabia que se ele pegasse a arma, era eu quem morreria. Eu só pensava em segurar a arma para ninguém se machucar. O primeiro tiro nem vi que o atingiu, porque ele continuou vindo para cima de mim. É duro você optar por viver e se defender, e ainda poder pagar por isso. Quando fugi, tinha a intenção de me apresentar, mas, ao mesmo tempo, tinha medo de deixar minhas filhas".

"Registrei oito boletins de ocorrência contra ele. Eu nem lembrava que havia tantas ocorrências, só tive essa noção quando puxaram todos os boletins na hora de anexar ao processo. Eu não acordava para o perigo em que eu estava, não acreditava que um dia o pior poderia acontecer comigo. Agora, só quero cuidar das minhas filhas", finaliza a mulher.

O caso é investigado pela Delegacia Sede de São Vicente. A mulher se apresentou às autoridades com o advogado nesta segunda-feira (10). A unidade cumpriu mandado de prisão temporária e a encaminhou à Cadeia Pública do município. Ela foi liberada, nesta quarta-feira (12), e responderá ao processo em liberdade, conforme relatou o advogado de defesa, Ronaldo Evangelista.

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