Um ano após o início da pandemia de Covid-19, atividades físicas em casa tornam-se ainda mais comuns

 

A prática regular de atividades físicas é fundamental para a saúde de qualquer pessoa. Entre os benefícios incluem-se o controle de doenças como diabetes e pressão alta, menor risco de doenças do coração, controle do peso, melhora da saúde dos ossos, redução no risco de quedas e melhora do bem-estar físico e da saúde mental.

Desde o início da pandemia de Covid-19, há um ano, a orientação das autoridades públicas é para que se mantenha a reclusão domiciliar sempre que possível. Academias e piscinas foram fechadas e parques e outros locais públicos, quando abertos, têm sido evitados pelo risco do contágio pelo coronavírus.

A opção que muitos encontraram foi a realização de exercícios adaptados em casa, seja sob supervisão profissional através de aulas on-line, seja sem supervisão alguma. Sem contestar os benefícios dos exercícios domiciliares, é preciso estar atento para o risco de lesões e tomar o cuidado para evitá-los.

Cuidados evitam riscos

ortopedista especialista em joelhos e médico da Seleção Brasileira de Futebol Feminino, João Hollanda, aponta que devem ser adotados cuidados ao fazer exercícios em casa, para evitar riscos à saúde. O médico do esporte orienta que o início da atividade física seja gradual, para que o corpo possa se adaptar a qualquer mudança advinda de uma nova rotina de exercícios. 




“Mesmo no caso de pessoas previamente ativas, o tipo de sobrecarga ao qual o corpo é submetido muda conforme a atividade. Temos visto um aumento significativo nos casos de 
fraturas por estresse e uma das principais justificativas para isso é a mudança abrupta na rotina de exercícios”, explica João Hollanda.

Um dos sinais para identificar que o limite do corpo está sendo respeitado é observar se a prática de atividade física causa dor. Segundo Hollanda, a dor que persiste após o fim do exercício é sinal de que o corpo não está respondendo bem ao esforço. “Pode ser um sinal de que o exercício está sendo feito da forma errada ou de que está sendo excessivo. Caso isso esteja acontecendo, é preciso reduzir o ritmo e, se isso não se resolver, é preciso procurar ajuda especializada”, orienta.

Escolha do exercício ideal

A escolha do exercício ideal deve ser feita conforme o histórico de cada pessoa. Ao indicar atividade física, é comum que o médico considere eventuais queixas do paciente, a fim de garantir o bem-estar. 

“Muitos recomendam o uso de escadas ao invés do elevador, mas isso pode não ser adequado para pessoas com condromalácia patelar, um problema muito comum e que causa dor na frente do joelho. Pessoas com artrose podem precisar limitar atividades de maior impacto e assim por diante. O médico do esporte pode ajudar nesta escolha”, aconselha João Hollanda.

A preocupação com o coração deve ser observada antes de se iniciar um programa de atividades físicas regulares. De acordo com Hollanda, exercícios físicos podem levar à sobrecarga do sistema cardiovascular e desencadear outros problemas. “Infarto agudo do miocárdio, arritmias e morte súbita são alguns exemplos. Esses riscos são mais elevados nos indivíduos idosos, obesos, com doenças como diabetes ou pressão alta, com histórico familiar de morte súbita ou com qualquer forma de problema cardiovascular conhecido. Especialmente nesses casos, vale a conversa com o cardiologista antes de iniciar os exercícios.”