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Artistas de circo em Itupeva falam das dificuldades com espetáculos parados na pandemia

 


“Foi a infância mais pura. O quintal da minha casa era a minha diversão. Eu nasci no circo e meus pais sempre estavam comigo porque ali era o trabalho deles. Eu sou a sétima geração de circense na minha família. É uma coisa única”.

A fala sobre o amor pelo circo é da diretora de marketing e mágica do Circo Stankowich vermelho, Kamila Stankowich, de 38 anos. A família dela já tem mais de 170 anos no ramo artístico e, desde o começo da pandemia, ela afirma que nunca passou por tanto tempo sem trabalhar.

Como os circos não estão podendo erguer suas lonas e trazer a diversão ao púbico, devido às regras de distanciamento social, Kamilla e sua equipe estão em Itupeva (SP) parados desde março de 2020. Ano passado realizaram espetáculos drive-in e lives. Contudo, para ela, a emoção não foi a mesma.

“Pisar no picadeiro novamente foi uma felicidade gigante só que não conseguimos, não teve a mesma emoção”, conta a mágica ao G1.

No Dia do Circo, celebrado neste sábado (27), a comemoração também não será a mesma. Kamila relembra da época em que era mais nova e a data era o maior movimento do ano. "Era como o 'aniversário da nossa empresa'. A alegria do público era nossa alegria, nossa recompensa”, relembra.

O dono do circo é seu pai, Márcio Stankowich, de 60 anos. Ele administra com o irmão o "Circo Stankowich", considerado o mais antigo em atividade no Brasil. Trapezista por mais de 20 anos, domador de animais e circense desde que nasceu, Márcio conta como foi duro ver o circo baixando a lona.

“Quando se entra no picadeiro você se esquece de tudo. Quando você abaixa a lona, imediatamente levanta ela em outro lugar. Desta vez, não. Quando a gente vai voltar? Eu não sei”.

Alternativas na pandemia

Com os espetáculos parados, alguns artistas tiveram que se reinventar. Muitos arrumaram trabalhos fora da área para ajudar nas despesas e alguns começaram a vender o que podiam, como maçã do amor, pipoca e biscoito.

"Alguns foram embora para suas cidades, mas o que estão aqui, vendem e trabalham no que podem. Todo trabalho que leva o sustento pra dentro de casa é essencial", diz Kamila.

Outra família circense, do Circo Globo Max e que está em Sorocaba (SP), é mais um exemplo de que começou a vender maçãs do amor, pipocas e bolas desde o começo da pandemia, sendo uma estratégia para driblar a pandemia.

Ao G1, uma das donas do circo, Rizia Signorelli, conta que as produções foram feitas nos próprios trailers e as vendas foram em vários pontos espalhados pela cidade. "É uma forma de arrumar dinheiro e fazer o que gostamos".

Além das vendas, moradores se sensibilizaram e ajudaram as famílias circenses neste período. Doações de cestas básicas, fraldas e produtos de limpeza foram entregues aos artistas. Márcio comenta sobre essas doações. "É emocionante ver gente aqui trazer cesta básica".

Ainda de acordo com Kamila, a incerteza de quando poderão retornar com os espetáculos deixam todos os artistas temerosos. Porém, a equipe espera pelo retorno o quanto antes.

"Tenho muito medo do futuro do circo, ainda mais depois dessa pandemia. Que todos nós possamos ter um 'Dia do Circo' mais feliz nos próximos anos", afirma Kamila.

Fonte: G1.

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