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segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Crítica - Mulher-Maravilha 1984 – Apenas um filme ruim mesmo





Mulher-Maravilha 1984 foi lançado com uma expectativa bem grande depois do sucesso do primeiro filme, que realmente é muito bom. Infelizmente, por mais que as críticas tentem exaltar o clima simplista, a ambientação oitentista e a “pureza” do roteiro, a sequência é apenas ruim e decepcionante. 
A história começa com uma introdução que beira ao infantil, que já dá o tom que o filme seguiria. 
Como vi alguém dizer no Twitter, com um assalto com “a Turma do Didi” no shopping. Os efeitos também lembram um filme feito nos anos 80.









A introdução da Mulher-Leopardo (Bárbara Minerva), ainda em sua versão civil e de boa moça, lembra os piores vilões dos filmes camp do Batman, como o Charada de Jim Carrey, ou o Electro de Jamie Foxx em Homem-Aranha – A Ameaça de Electro, ou seja, são pessoas boas e desprezadas pelo resto de mundo, que depois, em posse de poderes fantásticos, despejam todo seu ranço (em tempo: fazendo justiça, pelo menos a Mulher-Leopardo é mais bem desenvolvida e tem um arco mais natural do que os anteriores, o que não o torna necessariamente bom).

Já o vilão (?) vivido por Pedro Pascal (que parodia Donald Trump) pouco se salva, mesmo com todo o carisma do ator. Tornando-se um tipo de “Senhor dos Desejos”, que realiza um desejo em troca de outro, o desenvolvimento perde-se na narrativa de forma irrecuperável e, me desculpe se é burrice minha, mas o clímax do filme fica abaixo do ridículo, terminando como um episódio ruim de Power Rangers.





Sim, Diana faz um discurso, o vilão se arrepende e ao redor do mundo, após ouvirem suas palavras, as pessoas desistem de seus desejos mais íntimos, desde os mais bobos até milicianos que pediram armas nucleares. Não há descrença juvenil e pueril que engula esse tipo de desculpa.

Vale também destacar a possessão de Steve Trevor, que toma o corpo de uma pessoa qualquer. As piadas com os anos 80 e com Trevor ser o novato até funcionam, embora, basta ter visto alguns filmes na vida para saber que não têm nada de original e que menos preguiça no roteiro teria sido suficiente.

Enfim, longo em demasia (são mais de duas horas), o roteiro sempre parece seguir pelo caminho errado, que deixa o desenvolvimento confuso ou bobo, onde os vilões não são realmente maus, os crimes não são realmente ruins e no fim do dia tudo volta ao normal (me lembrou do filme Pequenos Ninjas…).

Para citar alguns exemplos: Diana salva a amiga de um possível estuprador. E vai embora, apenas larga o cara jogado no chão (hã?) para que ele possa voltar a atacar mulheres em seguida (e é o que ele faz, já com uma Minerva cheia de poderes e rancores). Aliás, o comportamento masculino dos homens que aparecem no filme, o tempo todo “caindo em cima” de Diana ou Bárbara, não ajuda a denunciar o péssimo hábito masculino, fazendo parecer que todo mundo vive em um “ambiente de balada”. A metáfora abandona qualquer sutileza.

Mulher-Maravilha poderia ser um filme leve e carregado de esperança, a DC já fez isso – e muito bem – em Shazam, por exemplo. No entanto, em Mulher-Maravilha 1984, o resultado é pífio e o filme é sim chato. Do tipo que, em alguns anos, o longa será mais lembrado pelos equívocos do que por acertos.



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