Filha doa dinheiro de 'vaquinha' de pai que morreu com câncer para criança com a doença: 'Gesto lindo' - Itupeva Agora

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domingo, 8 de novembro de 2020

Filha doa dinheiro de 'vaquinha' de pai que morreu com câncer para criança com a doença: 'Gesto lindo'

 


A comerciante Carina Aparecida Borges da Silva, de 35 anos, perdeu o pai para o câncer há cerca de 20 dias. Mas, ela resolveu transformar a dor em uma boa ação, e doou todo o dinheiro arrecadado em uma campanha virtual que fez para o tratamento de Carlos Silva, de 63 anos. A quantia, mais de R$ 8 mil, foi destinada à pequena Luma César Fernandes, de quatro anos, que também luta contra a doença, em Santos, no litoral paulista.

Carina conta que Silva descobriu que estava com câncer, já em estado avançado, em novembro de 2019. "Meu pai tinha câncer no fígado, que deu metástase para os ossos, e tinha um câncer na cabeça", explica. Como o pai não tinha plano de saúde, a filha arcou com todos os exames que ele precisou fazer após descobrir a doença.

Porém, o médico que o atendeu disse que o câncer já estava em um estado muito avançado, e que não tinha mais o que fazer. Com isso, a família começou uma corrida contra o tempo para garantir um tratamento ao idoso, no intuito de que ele ganhasse mais dias de vida.


"Meu pai começou a perder a visão, ficou cego de vez, foi se debilitando e tinha muitas dores. Começou tratamento com morfina e foi emagrecendo cada vez mais. Mas, ele tinha muita fé, vontade de viver, não se entregava, e isso que nos movia a correr atrás das coisas para ele", conta a filha.

No Dia dos Pais deste ano, Silva pediu para que a filha fizesse uma campanha de arrecadação para ele, com o intuito de arcar com o custo da quimioterapia e radioterapia, porque a família não tinha condições financeiras. Foram arrecadados R$ 8.815,33, mas ele não resistiu a tempo de fazer o tratamento e morreu no dia 15 de outubro.

"'Foi muito doloroso perder ele assim. Mas, hoje, estou com a alma lavada por ter feito essa doação para a Luma. Como pedi o dinheiro para a finalidade de ajudar meu pai com o tratamento do câncer, achei que seria errado usar para qualquer outro fim, como pagar o enterro, e pensei que o certo seria doar para outra pessoa que estivesse em tratamento da mesma doença. Se não deu certo para o meu pai, pode dar certo para outra pessoa, e sei que ele gostaria que eu fizesse isso", diz a filha.

No dia do sepultamento de Silva, uma amiga contou para Carina a história de Luma, e ela resolveu fazer a doação à criança. "Tenho certeza que meu pai está orgulhoso da minha atitude, onde quer que esteja. Escolhi uma criança porque ela tem tanto o que viver na vida, e a Luma tem só 4 aninhos, e já passou por muita coisa. Eu olhei para ela e pensei: 'e se fosse um filho meu?'. Lutei tanto para que o meu pai tivesse um tempo a mais de vida, e já que ele não teve, eu espero que ela tenha. Eu queria poder fazer mais por outras pessoas, também, porque isso é amor, e o mundo precisa disso. Eu sei que meu pai faria igual", finaliza.

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