Dedo de prosa sobre a Romaria de Itupeva - Itupeva Agora

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quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Dedo de prosa sobre a Romaria de Itupeva



Por: Paulo Marcondes 

Era uma quinta-feira, 17 de novembro de 1955, quando os cavaleiros de Itupeva se reuniram no salão da Sociedade Recreativa de Itupeva para discutir a possibilidade de organizar uma Romaria de Itupeva à Pirapora, para visitar o Bom Jesus.

Até então a turma do cavalo, para ir ao Santuário, acompanhava a Romaria Diocesana de Jundiaí ou de Indaiatuba, e seguia em turminhas de amigos. Era comum os funcionários das fazendas juntar seus cavaleiros e sair em grupos fechados.

Os saudosos, Vicente Tartalha, Adolfo Barbi e Benedito Barbosa enxergaram ali uma possibilidade para criar uma Diretoria designada para organizar uma Romaria anual, e o Elizeu Izzo foi registrando os nomes e as providencias num Livro de Atas.

O Dito Barbosa foi eleito presidente, Dorival Raymundo foi o vice, o Adolfo Barbi ficou de tesoureiro, diretores foram nomeados entre sitiantes, agricultores, meeiros, gente do comércio e os auxiliares os representantes dos grupos de romeiros do lugar.

Viajar em romaria era uma temeridade, as dificuldades eram muitas, mas a fé era inabalável. Gente simples, daquela Itupeva de outrora se entregou de corpo e alma na organização, tomando decisões difíceis, mesmo sem nenhum apoio político institucional.


A primeira romaria foi um sucesso. Da bandeira até os culateiros, prevaleceu o clima de total paz e harmonia. A ótima repercussão entre os romeiros locais e visitantes motivou o registro histórico da relação dos cavaleiros, ciclistas e motociclistas participantes.

Se a Romaria Diocesana de Jundiaí impressionava pela grande adesão de cavaleiros, a Romaria de Itupeva se tornou famosa pela organização, união familiar e pela amizade entre os romeiros.

As viagens seguintes mantiveram a tradição, custeadas por doações que muitos faziam, e eram leiloadas para as despesas com distintivos, caminhões, medicamentos, ferreiros e confecção dos Programas que eram distribuídos às pessoas de todas as classes.

Os meses anteriores à romaria eram de muita movimentação, com passeios organizados para treino, leilões para arrecadar fundos e de grande expectativa para o dia, em frente à Igreja de São Sebastião, em meio aos rojões, a benção do padre na festa da saída.

A saída da Romaria se dava em meio a grande alegria pelo encontro de amigos, o bate papo na estrada, nas paradas de descanso, a partilha do lanche, os acampamentos de repouso, a cantoria de viola e a celebração da Missa da Romaria.

A chegada dos cavaleiros era uma festa popular. As calçadas da avenida Brasil, lotada com o povo saudando os romeiros que seguiam as bandeiras. Pedestres, ciclistas, motociclistas, cavaleiros e carros em meio aos estalos de rojões e os aplausos dos moradores.

O coreto era ocupado pela Banda Lira Itupevense tocando marchinhas e dobrados, enquanto o padre recebia os romeiros com suas bênçãos, as autoridades políticas faziam saudações e uma multidão rodeava a Praça da Igreja de São Sebastião.

A Romaria de Itupeva ficou famosa pela simplicidade e emoção e depois de oito anos como presidente, Dito Barbosa foi sucedido pelo Adolfo Barbi. Seu Adolfo ficou até o Jubileu de Prata, quando um novo presidente tomou posse, Luiz Marchi.

O popular Luizão foi o presidente que modernizou a romaria, que antes era exclusiva para homens e passou a admitir toda a família. Por conta de mudanças na lei, a Associação dos Romeiros se tornou Pessoa Jurídica, e oficializou legalmente o estatuto.

Antonio Marchi, o Turcão, foi eleito em 1993, ampliando a diretoria, no qual deu um destaque aos auxiliares, sendo assim o número de romeiros aumentou. Os passeios a cavalo passaram a ter Programa, o churrasco com seu leilão se tornou tradicional e movimentou toda região.

Depois do Turcão foi eleito o Valdão Falco, que levou o nome da Romaria de Itupeva aos rincões do estado, editando a Revista do Jubileu de Ouro, homenageou os pioneiros e deu à Associação dos Romeiros o reconhecimento de Patrimônio Cultural.

Após dez anos do Valdão como presidente, foi eleito o empresário Angelim Lorenção, que organizou o Jubileu de Diamante, criando o Jantar de Confraternização e o Natal Solidário, ações que mobilizam os romeiros anualmente, na distribuição de presentes para as crianças.

Em seguida foi eleito o atual presidente Valmir, que decidiu focar na tradição da romaria mais enxuta, com ênfase na parte espiritual. A diretoria organizava a comemoração de 65 anos quando o presidente teve que cancelar a romaria ainda em março de 2020 por conta das dificuldades causadas pela pandemia do covid 19.

O ano do Jubileu de Safira da romaria de Itupeva ficará marcado pelo coronavírus. Mas os romeiros sabem que não é a primeira dificuldade enfrentada e com certeza não será a última que se interpõe no caminho dos romeiros de Itupeva.

O entusiasmo, a tradição e a fé são a fonte de energia inesgotável que tem movido os cavaleiros em superar mais esse obstáculo e retomar sua tradição. Visitar o Bom Jesus de modo elegante. Viva a Associação dos Romeiros de Itupeva!


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