Por que o Brasil escapou ileso da droga que virou epidemia nos EUA e na Europa - Itupeva Agora

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29 outubro, 2017

Por que o Brasil escapou ileso da droga que virou epidemia nos EUA e na Europa

Substâncias opioides como a heroína têm causados enormes estragos nos EUA e na Europa – mas no Brasil, crack e cocaína ainda são o principal problema. Magros e com ar abatido, eles perambulam pelas ruas, com isqueiro na mão, comprando drogas para aplacar sua crise de abstinência. O cenário pode lembrar o de usuários de crack, que se espalham pelas capitais brasileiras, mas nesse caso retratam uma outra realidade: a do uso de heroína e opioides nos Estados Unidos e na Europa.

Os Estados Unidos acabaram de declarar uma epidemia de opioides – drogas derivadas do ópio, como a heroína, a morfina e a metadona – como uma emergência de saúde pública. "Nunca vimos algo como o que tem acontecido nos últimos quatro anos", disse o presidente Donald Trump na quinta.

Na Inglaterra, no país de Gales e na Escócia, o número de mortes por overdose de heroína dobrou nos últimos cinco anos - e é hoje o maior por ano desde que o governo começou a medir. Nos EUA, um levantamento do governo federal divulgado em setembro apontou que o número de mortes causadas por fentanil, um anestésico e analgésico opioide de acesso restrito, aumentou 540% em três anos - foi de 3 mil, em 2014, para 20 mil, em 2017.

O relatório mostra que a epidemia atinge diferentes partes do país. A presença constante do vício em opiáceos sobrecarrega governos estaduais, que precisam deslocar cada vez mais recursos para remediar o problema. A explosão no uso dessas substâncias, no entanto, não chegou ao Brasil. Aqui o problema é outro. O último Levantamento Nacional de Álcool e Drogas disponível, feito em 2012 pela Unifesp, apontava que 1,8 milhão de pessoas já haviam experimentado crack no país, enquanto a cocaína havia sido usada por 5,6 milhões. Já a Pesquisa Nacional sobre o Crack feita pela Fiocruz em 2013 revelou que havia cerca de 370 mil usuários regulares de crack nas capitais.

Nenhum dos levantamentos aponta presença relevante de heroína. O estudo feito pela Unifesp nem cita a droga. E só 0,84 dos usuários de crack já experimentaram heroína e outros opioides, de acordo com a pesquisa da Fiocruz.

"A heroína tem prevalência muito baixa independentemente do estrato social - em diferentes classes sociais, gêneros, idade, formação", explica o pesquisador Francisco Inácio Bastos, principal especialista em drogas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e coordenador do estudo sobre o crack.

Fonte: G1.

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