Logan – Comentários sobre o filme - Itupeva Agora

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02 março, 2017

Logan – Comentários sobre o filme


Quando Hugh Jackman foi escolhido para viver Wolverine no cinema, há 17 anos, naquele que seria o primeiro filme da franquia baseada em quadrinhos que se tornaria uma das principais responsáveis para a abertura às adaptações de HQs que se seguiram, houve muitos fãs questionando, principalmente por conta dos 1m88 do ator, contra os 1m60 de altura do personagem “nanico”.
No entanto, logo que estreou, as vozes dissonantes sumiram, graças ao bom trabalho de Jackman na interpretação do herói, como também do ótimo resultado obtido pelo filme. E desde então, nas sequências em que viveu o personagem nessas quase duas décadas, acredito que nenhum outro ator encarnou um personagem de forma tão marcante quanto Jackman, superando até Christopher Reeve com seu Superman. Tanto é que, esse último filme, apresenta mais do que uma ótima história do Wolverine como também serve de despedida para Jackman, que interpreta o personagem pela última vez.
Wolverine é, talvez, um dos primeiros anti-heróis dos quadrinhos a fazer tanto sucesso. Sua popularidade estourou em 1994, quando a série animada dos X-Men colocou os personagens em destaque e o Carcaju baixinho e mal-humorado, que se remoía pelo amor de Jean Grey, namorada do líder “certinho” Ciclope, se sobressaiu aos companheiros de equipe. Era uma época de algumas mudanças nos quadrinhos, os personagens “bonzinhos” estavam em baixa, e aqueles dispostos a “cruzar a linha” começaram a ganhar mais relevância, já que a violência e a discussão atrelada a ela serviam, em alguns casos, para deixar as histórias mais complexas e próximas da realidade. Além disso, que atire a primeira pedra aquele leitor de HQ que não vibrou pelo menos uma vez com o “Snikt” das garras do mutante quase invencível.
E então, chegamos ao filme, onde encontramos Logan, mais do que velho, cansado e com o fator de cura longe de seu auge (é sugerido o motivo durante a história). Vivendo em um futuro onde os mutantes foram extintos, Logan agora cuida do professor Xavier que, sofrendo de uma doença degenerativa, transformou-se em um perigo para o mundo. Nesse cenário, surge Laura, a X-23, personagem que criada em X-Men Evolution (uma das melhores séries animadas baseadas em HQ, na minha opinião) e, com o sucesso, transposta para os quadrinhos. Clone de Wolverine, mas criada desde o nascimento em laboratório, Laura tem pouca noção do mundo e de como as coisas funcionam, o que resulta em ótimas cenas, que não seriam tão boas se Dafne Keen, que interpreta a personagem, não fosse de uma competência absurda. Sim, desde Hit-Girl de Kickass que uma criança não convencia tão bem como uma assassina selvagem. O resultado disso é um gostinho de quero mais e seria ótimo voltar a vê-la novamente no papel, embora, por questões temporais e cronológicas, isso ainda seja bastante incerto.
Outro ator que também se despede do papel, Patrick Stewart entrega mais uma atuação emocionante de Charles Xavier, dessa vez com mais humor, dado a seus problemas de saúde, mas ainda sábio e tocante. Sem dúvidas, foi outro ator que encarnou o personagem de forma brilhante e vai deixar saudades (felizmente, a franquia ainda tem o talentoso e competente James McAvoy).
Por fim, Hugh Jackman, ator talentoso e que alterna com habilidade entre diversos tipos de papel, se despede em grande estilo do personagem que o transformou em uma estrela. E o filme traz várias facetas de Logan. Desde o anti-herói, mas que dedica sua vida a cuidar do velho amigo Xavier, até o personagem cansado e sem esperança, com algumas cenas que trazem de volta o personagem selvagem e que nunca havia sido mostrado de forma tão clara no cinema (nada que uma indicação de 18 anos não pudesse resolver).
Enfim, Logan não é um filme de ação, mas ela está lá, de forma violenta e sanguinária, sem ser gratuita. A primeira aparição de Laura, aliás, é de encher os olhos. Logan não é exatamente um filme de super-herói, embora os sacrifícios, o heroísmo, estejam lá. Não é um roadie movie, embora a viagem mova a história. Resumindo, Logan é um filme que se afasta um pouco do gênero super-herói, sem deixar de referenciar suas origens e, principalmente, prestar uma bela homenagem ao personagem, terminando de forma digna uma parceria de 17 anos entre ator e personagem e que, sem a menor dúvida, deixa os nomes de Hugh Jackman e de Wolverine marcados para sempre na história do cinema.

Retirado de Rabiscando.com

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