Crise não impede mais de 2 milhões de aumento nos salários - Itupeva Agora

Agora

21 fevereiro, 2017

Crise não impede mais de 2 milhões de aumento nos salários


Enquanto que em muitas cidades, ainda que enfrentando fortes crises financeiras, os prefeitos eleitos vêm atuando e mostrando muitas ações, comum em início de gestão e mudança administrativa, como em Jundiaí, que o prefeito Luiz Fernando realizou ações no hospital São Vicente para diminuir a espera por exames, ou São Paulo, onde o prefeito João Dória, por meio do “Corujão da Saúde” diminuiu em 70% a lista de espera por exames, em Itupeva o início da nova gestão foi dedicado a demonstrar o grande déficit financeiro que a cidade se encontra.

Em entrevista coletiva, há alguns dias, o prefeito Marcão Marchi afirmou que o valor ultrapassa os R$ 213 milhões e também anunciou que tudo será disponibilizado online no site da transparência. Ao mesmo tempo, o prefeito liberou aumento de salário para si próprio (que ultrapassa os R$ 3 mil) e para todos os cargos de comissão, que já ultrapassam os 250 contratados. A pergunta que a população tem feito é: se a crise é tão severa, como pode o prefeito se dar um aumento?

Citando texto recente da jornalista Milly Lacombe, a divulgação a cada dia da dívida parece ficar mais clara: “Quando Henrique Meirelles, o ministro interino da fazenda, veio a público gritar o tamanho do rombo nos cofres públicos – de fato enorme, ainda que haja indícios de que foi superfaturado – a mídia corporativa não pensou meio segundo para divulgar os bilhões da dívida. Divulgar sem checar ou contextualizar é um trabalho de assessoria de imprensa, mas acho que esse debate caducou”, começa ela. “Quando a dívida pública é esfregada na nossa cara da forma como foi a intenção é a de nos preparar e nos manter calminhos para as medidas de austeridade que estão sendo tomadas. Austeridade é diminuir o tamanho do estado no jogo aumentando impostos para a massa ao mesmo tempo que se cortam benefícios. Para que o povo engula uma atrocidade desse porte é preciso uma narrativa dramática”, conclui.

Analisando a situação de Itupeva, parece ser exatamente a estratégia adotada nesse início de mandato, já que a população vem sofrendo vários cortes de direitos, como o cancelamento das aulas de capoeira, robótica e do Pesc Ciências nas escolas públicas; marcação de exames paralisada nas UBS; além de atraso no pagamento da segunda parcela do 13º salário dos servidores e da cesta básica e o bloqueio, há mais de um mês e ainda sem data de liberação, do auxílio-combustível.

A grande questão que a Prefeitura insiste em não responder é: com mais de R$ 210 milhões de dívidas da Prefeitura, prejudicando os serviços aos cidadãos, como é possível um aumento de salários que deve custar, calculando por cima até agora, mais de R$ 2,2 milhões por ano (considerando apenas o reajuste dos cargos de comissão, multiplicados pelos 12 meses e mais o 13º)?

O que dá para fazer com R$ 2,2 milhões?

Com o gasto extra para os cofres públicos por conta do reajuste dos salários dos comissionados, que poderiam ter sido congelados pelo prefeito com um simples decreto, um cálculo superficial (a soma total dos reajustes multiplicados pelos 12 meses e mais o 13º, excluindo-se férias) chega a um valor que ultrapassa os R$ 2,2 milhões. Para base de comparação, os 20 Educadores Infantis convocados em dezembro e que depois tiveram a convocação suspensa pela Prefeitura, custariam aos cofres públicos pouco mais de R$ 600 mil ao ano (calculando-se o salário base do cargo, multiplicado pelos 12 meses e mais 13º salário).

Também daria para construir uma UBS por ano (o custo estimado fica entre R$ 1 e 1,6 milhões. Em 2016, a Prefeitura de Indaiatuba gastou R$ 1.022.662,56 na construção da Unidade Básica de Saúde para o bairro Cecap.), podendo ainda equipá-la e contratar funcionários.
Seria possível construir 11 casas populares, a R$ 200 mil cada; adquirir cerca de 60 carros populares (a custo de R$ 37 mil cada), e assim por diante.

O que leva novamente à questão amplamente divulgada pela Prefeitura nesses quase dois meses de gestão: a enorme dívida deixada pela administração passada. O prefeito Marcão Marchi chegou a dizer que vai denunciar o ex-prefeito Bocalon ao Ministério Público. Pois bem. Que seja feita a denúncia, que cada um arque com suas responsabilidades, que a Justiça defina as penas necessárias. O que a população não pode, no entanto, é seguir recebendo cortes de serviços, falta de ações efetivas, ao mesmo tempo que o prefeito e os quase 300 comissionados contratados recebam um aumento de salário logo no primeiro mês de trabalho e que, dada à crise, não só municipal, mas nacional, soa como escandaloso e desrespeitoso para o restante da população. Em São Paulo, por exemplo, o prefeito Dória não só congelou o reajuste dos cargos em comissão, como prometeu doar cada salário seu (que são menores do que o prefeito de Itupeva) a uma instituição de caridade. Além disso, não se furtou de criticar prefeitos que, ao invés de buscar soluções, insistem em reclamar da crise: "Temos de dar conta de nossas demandas, ter capacidade criativa de suprir nossas dificuldades, não externar isso para a população (...) Não pode chegar num hospital, num posto de saúde e não ser atendido. Temos de atender, dar conta das nossas demandas. Pegue o exemplo do prefeito: faça o que tem que fazer com os recursos que têm disponíveis”, disse.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Post Top Ad