Assistimos Esquadrão Suicida ;) - Itupeva Agora

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05 agosto, 2016

Assistimos Esquadrão Suicida ;)


Um grupo de vilões da pior espécie é reunido por uma divisão secreta e especial do governo com o objetivo de invadir o Asilo Arkham e recuperar um objeto roubado pelo Charada ou, se necessário, eliminá-lo. Enquanto isso, Batman desconfia que algo está errado e acaba descobrindo a invasão. Para piorar, o Coringa consegue escapar de sua cela e mostra que existem pessoas más, pessoas realmente muito más e existe o Coringa. Essa é a trama de Assalto ao Arkham, longa animado da DC lançado em 2014 e que traz uma excelente adaptação que, no entanto, apesar de contar com alguns personagens em comum, não é usada como referência para Esquadrão Suicida, que estreou essa semana nos cinemas, depois de um hype absurdo no mundo inteiro. Mas isso significa que o filme é ruim? Não exatamente.

Existe uma animação muito boa do 'Esquadrão Suicida' chamada - Batman assalto ao Asilo Arkham
Quando as primeiras críticas começaram a surgir, a luz amarela acendeu nos fãs, já que foram pouco positivas. Algumas classificando o filme como absolutamente ruim, o que me fez ir ao cinema (não tome a opinião alheia como certeza, sempre vá ver o filme quando quiser) com a expectativa baixa, esperando pelo momento em que o filme degringolaria para uma porcaria completa.
A apresentação dos personagens, que acontece de forma expositiva, porém simples e que acaba funcionando, dá destaque ao Pistoleiro e Arlequina, até porque são os grandes protagonistas do filme. Will Smith faz um trabalho competente, embora algumas falas e reações não combinem com o personagem (“Você tá me ameaçando?” e “Moça, você é do mal”, por exemplo). Margot Robbie também consegue entregar um trabalho eficiente, embora sua personagem tenha um problema que me incomodou durante todo o filme (falarei mais sobre isso depois). El Diablo também surge como um personagem interessante, carregando culpa e arrependimento. Pena que o roteiro depois dramatize de forma exagerada esse sentimento, ao ponto dele chamar de “família” aqueles ladrões e assassinos que conheceu algumas horas antes. Capitão Bumerangue poderia muito bem ter ficado no filme do Flash, enquanto que Amarra surge com um único propósito que, a não ser que você não esteja prestando atenção, é escancaradamente óbvio. E que poderia ter sido melhor executado se o Bumerangue apenas tivesse manipulado o pobre coitado e assistido para ver o resultado, ao invés de participar da ação. O líder do Esquadrão, o soldado Rick Flag, cumpre com firmeza o papel, deixando claro o quanto despreza os seus companheiros. Por fim, Viola Davis como Amanda Waller captura com perfeição a essência da personagem dos quadrinhos (mesmo quando toma uma atitude que leva o Pistoleiro a questionar se depois disso ele que é o vilão. O problema, na verdade, é que Waller seria bem capaz do que faz, mas a ação soa gratuita).
Quanto aos vilões, Magia, uma entidade antiga que se apossa do corpo de June Moore, surge interessante, embora o roteiro prejudique muito seu desenvolvimento e desperdiça uma oportunidade grande de criar um monstro realmente maléfico, o que enfraquece bastante o filme.


Por fim, temos o Coringa, tão aguardado. O esforço de fazer algo diferente de Jared Leto é evidente, mas funciona muito pouco. Diria que o Coringa conseguiu ser o personagem menos eficiente. A cara de louco e o comportamento psicopata estão lá. Junto com gargalhadas forçadas e um rosnar (sério, ele rosna) que me causou certa vergonha (e não sei que efeito deveria causar, mas não funcionou). Ficou abaixo da expectativa.
Sobre o roteiro, bom, a história é fraca e traz vários problemas que, com certeza, passarão despercebidos da maioria e não chegam a estragar o filme. Por exemplo, o Esquadrão é formado antes de uma ameaça surgir, com a desculpa de que “E se o próximo Superman se voltar contra nós?”. Além disso, o próprio presidente autoriza a criação do Esquadrão, quando, na verdade, ele deveria ser criado justamente para fazer operações que o governo jamais aprovaria. Ok, o que o filme apresenta ainda é uma premissa válida, mas enfraquece um pouco, principalmente pelo fato de que a primeira missão é justamente por conta da Magia, que deveria fazer parte da Equipe. Por fim, o filme sofre um problema de ritmo, que o torna um pouco cansativo em um ou outro momento, um flashback da Arlequina totalmente deslocado, entre outros problemas, que pioram quando o grupo descobre a real missão, pouco depois de se encontrarem com o Coringa. E o filme perde também uma grande oportunidade de explorar a faceta de psicóloga da Arlequina quando esta confronta El Diablo, mas isso é um detalhe. O trecho final do filme sofre com essa mudança dos personagens, que de repente viram mais que amigos, mas sem que a trama caminhe para isso, o que torna artificial e transforma o drama em melodrama.
Mas voltando à pergunta: Então o filme é ruim? Honestamente, não. Na maior parte do tempo, consegue divertir, a maioria das piadas funcionam, a ação é burocrática (e bem genérica no final) lembrando um jogo de videogame em alguns pontos, mas atinge em cheio o público-alvo principal do filme, que são os adolescentes (e na minha sessão havia alguns que devem estar na adolescência desde os anos 90). Resumindo, poderia ser um filme melhor, explorando melhor a faceta de “bad guys” dos vilões, aproveitando melhor a característica e habilidades de cada um e apresentando algo mais maduro, mas, em contrapartida, diverte. Talvez venha sofrendo críticas duras e, até desmerecidas às vezes, por conta do hype e da expectativa que gerou. De qualquer forma, para quem gosta de quadrinhos, vale a pena conferir no cinema e tirar suas próprias conclusões.
Para mim, vale uma nota 6,95. ;)

Sobre a Arlequina


Conforme comentei no texto acima (pode subir, prometi sim, lá em cima), vou fazer um comentário adicional sobre a Arlequina. A escolha de colocar a personagem em trajes minúsculos, com uma camisa colada e metade das nádegas para fora, tem, obviamente, o objetivo de deixa-la sexy ou, mais que isso, erotizá-la, como algumas cenas deixam claro (a do pole dance é lamentável). É um papel que cabe à personagem e seria uma ideia interessante trabalhar com a ideia de sua independência e aproveitar suas curvas para colocar os homens à sua disposição, com exceção do Coringa, por quem nutre um amor psicótico e até autodestrutivo. Isso não é feito no filme e não me incomodaria (embora acredito que muitas mulheres podem se incomodar um pouco) o fato dessa exploração que é feita, mas a prova de que ela funcionou como os produtores queriam foi a reação de vários adolescentes na sessão em que eu assisti que se exaltavam da mesma forma que muitas meninas reagiam quando Jacob aparecia sem camisa em Crepúsculo (e não, não vi Crepúsculo no cinema). Sério, foi vergonhoso ouvir os assobios, os comentários, os gritos de gostosa e por aí vai. Na fileira atrás da minha estavam alguns pré-adolescentes que devem ter visto a primeira mulher seminua na vida, ou pelo menos agiam como se fosse.
Uma observação adicional: Acho que o machismo fica evidente quando um filme que traz protagonistas femininas sem apelo erótico é massacrado por opiniões negativas antes mesmo de estrear, como aconteceu com Caça-Fantasmas, e uma personagem feminina que recebe close na bunda em vários pontos do filme ganha uivos e idolatria. Entendo que muitos tenham adoração por ela. Mas porque o ódio das outras?

Sessões do Cinepólis Jundiaí (Jundiaí Shopping)



Por Luciano Rodrigues

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